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Como o "Occupy Wall Street" se transformou no "Occupy World Street"

Combate a protestos nos Estados Unidos, Londres e Suíça traz novo ímpeto às movimentações contra as desigualdades sociais causadas pela exploração económica.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 15 de Novembro de 2011 às 16:26
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Primavera Árabe, indignados, Occupy Wall Street, Occupy Londres. Os movimentos sociais espalharam-se pelo globo. As tendas, os oleados, os cartazes dos “99%” começaram a ocupar várias ruas um pouco por todo o globo há já alguns meses.

A “geração à rasca” em Portugal ou os indignados de Espanha foram os aperitivos para um movimento mais global de combate às desigualdades sociais decorrentes de um capitalismo selvagem, logo depois dos combates políticos na Primavera Árabe.

Em Setembro, vários manifestantes decidiram ocupar o centro financeiro nova-iorquino, de forma a mostrar que os cidadãos já não estão disponíveis para viver num sistema financeiro em que 99% da população sai prejudicada para beneficiar 1%. Foi o início do "Occupy Wall Street".

Em sequência, vários movimentos disseminaram-se pelo resto do mundo para desenvolver este espaço cívico que pretende retirar poder aos campos económico e político que dominam as actuais sociedades. Muitos movimentos informais acabaram por se condensar em manifestações contra o excessivo poder económico.

Esta constatação abriu espaço para a criação, ou promoção, de um espaço cívico que tem sido negligenciado, na opinião destes activistas.

Pelo mundo, o Occupy Londres é uma das réplicas mais significativas do congénere norte-americano, com um campo montado nas imediações da St. Paul Cathedral.

Além da América do Norte e da Europa, os protestos tiveram e têm lugar no Canadá, na Austrália e até na Índia. Países da África e da América do Sul também se juntaram a estes movimentos informais.

Polícia lança-se contra ocupações

Hoje, a City of London Corporation, autoridade londrina, afirmou que vai reiniciar uma acção judicial para desocupar os protestos dos activistas que se encontram na praça em frente à catedral.

“Interrompemos a acção judicial durante duas semanas para conversarmos com quem está no campo, de forma a discutir como reduzir a extensão do espaço ocupado por tendas e de forma a estabelecer uma data limite, mas nada se desenvolveu”, indicou o presidente da autoridade, Stuart Fraser, citado pela Bloomberg.

O “Financial Times” fala também na detenção temporária de 31 manifestantes em Zurique, na Suíça, no dia de hoje. Segundo a publicação, estes activistas resistiram ao despejo que o município concretizava na praça em que estavam há um mês.

Ao mesmo tempo, hoje é também o dia em que o Occupy Wall Street se vê despejado do seu coração. A polícia, sob o comando do “mayor” Michel Bloomberg, decidiu despejar o coração do movimento no Zuccoti Park, perto de Wall Street, onde os manifestantes se encontravam acampados há praticamente dois meses. Na segunda-feira, Oakland, na Califórnia, foi alvo de um movimento idêntico.

Mas o Occupy Wall Street quer continuar a dinamizar uma maior intervenção cívica. Na sua página de Internet, o movimento deixa a seguinte mensagem: “A Praça da Liberdade foi dispersada, mas o espírito não foi derrotado”.
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