Banca & Finanças Construtor que ofereceu 14 milhões a Salgado negoceia reestruturação da dívida com Novo Banco

Construtor que ofereceu 14 milhões a Salgado negoceia reestruturação da dívida com Novo Banco

José Guilherme está à espera de saber quanto deve, efectivamente, ao Novo Banco. Mas, para já, tem uma certeza: precisa de reestruturar a sua dívida para com a instituição financeira.
Construtor que ofereceu 14 milhões a Salgado negoceia reestruturação da dívida com Novo Banco
Duarte Roriz
Diogo Cavaleiro 31 de março de 2015 às 13:15

José Guilherme quer negociar a reestruturação da sua dívida com o Novo Banco. "Aguardo, neste momento, uma proposta do Novo Banco com vista à determinação da dívida pela qual devo efectivamente ser considerado responsável perante o Novo Banco e à reestruturação da mesma".

 

A informação foi dada pelo construtor civil nas respostas avançadas pelo próprio, por escrito, à comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES. José Guilherme afirma que percebeu ter a necessidade de reestruturação "pouco tempo depois da resolução", que ocorreu a 3 de Agosto de 2014. "De lá para cá foram mantidas conversações com o Novo Banco e prestadas todas as informações solicitadas para encontrar uma solução", acrescentou.

 

Nas respostas aos deputados, a cujas perguntas lançou críticas, o construtor civil que ofereceu 14 milhões de euros a Ricardo Salgado por conselhos de investimento relata que, no final de 2012, tinha não só uma dívida pessoal, no âmbito dos seus negócios, mas também dívidas através de garantias dadas em seu nome a favor de terceiros. "No final 2012, a dívida pessoal somada à dívida e responsabilidades de entidades por mim dominadas ou de terceiros mas que avalizei ou garanti pessoalmente era de cerca de 204 milhões de euros", revelou na carta. Contudo, diz que, em Agosto de 2014, já tinha reduzido o montante global para 121 milhões - mas dá a entender, na missiva, que pode não ser considerado responsável por todo o valor. 

 

A necessidade de reestruturar a dívida veio porque, em parte, os negócios a quem José Guilherme concedeu garantias começaram a perder forças. "Por um lado, [a exigência de uma reestruturação deve-se] ao não cumprimento – em decorrência da resolução do BES e subsequentes insolvências das empresas do GES – de compromissos que haviam sido assumidos comigo pelo BES e empresas/responsáveis do GES relativamente a negócios realizados com crédito do BES concedido ou mantido a pedido e no interesse daquelas entidades, e da situação em que, pelas mesmas razões, caíram pessoas e empresas terceiras cujas responsabilidades avalizei pessoalmente perante o BES", comenta o construtor.

 

Não é o único motivo: "em face da situação económica de Angola, país em que se concentra actualmente a minha actividade e negócios e da dificuldade de exportação de capitais de Angola, constatei como imperiosa a necessidade de encontrar uma solução de acordo de reestruturação da dívida perante o Novo Banco".




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