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Contabilista diz que Salgado "sabia” que as contas não reflectiam verdade financeira

"Ricardo Salgado sabia" diz Francisco Machado da Cruz, o contabilista do BES, segundo a edição desta sexta-feira do semanário Expresso.

Bruno Simão/Negócios
Negócios 13 de Junho de 2014 às 11:04
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O semanário Expresso escreve esta sexta-feira, 13 de Junho, que Ricardo Salgado "sabia" que as contas da Espírito Santo International (ESI) - "holding" que controla os negócios da área financeira e não-financeira da família - não mostravam a realidade financeira da empresa. As palavras são de Francisco Machado da Cruz.

 

O Expresso detalha que o contabilista – ou "commissaire aux comptes" – aponta "em documentos internos do GES, que foram entregues ao Banco de Portugal, que Ricardo Salgado sabia desde 2008 que as contas não reflectiam a verdade financeira do ESI".

 

Nos documentos a que esta publicação teve acesso, Machado da Cruz refere que "se reunia directamente com Salgado e que era com ele, e com seu superior directo, José Castella, que aprovava as contas antes de serem mostradas aos outros administradores". Ainda assim, o contabilista assume na totalidade a responsabilidade do que se passou, adiantando que a sua equipa não estava inteirada da situação.

 

A 20 de Maio, o prospecto do aumento de capital do Banco Espírito Santo, publicado no site da Comissão do mercado de Valores Mobiliários, revelava que a auditoria que o Banco de Portugal pediu à Espírito Santo International, "holding" de controlo do GES, "apurou irregularidades nas suas contas e concluiu que a sociedade apresenta uma situação financeira grave".

 

O semanário Expresso escreve ainda que Machado da Cruz e José Castella perante o comité de auditoria do Espírito Santo Financial Group afirmaram "que a administração da ESI não acompanhava a informação financeira". Neste encontro, o contabilista terá assumido única e totalmente a responsabilidade pelos erros não tendo explicando, contudo, as razões pelas quais os tinha cometido.

 

"Machado da Cruz, no documento que terá sido entregue ao regulador, afirma que tinha consciência do que se estava a passar, mas que teria de ser assim, pois durante a crise financeira de 2008 era preciso salvar o BES. Esclarece que Ricardo Salgado queria salvar o banco e que concordava com ele", acrescenta ainda a publicação do grupo Impresa.

 

Em entrevista ao Negócios, a 22 de Maio, Ricardo Salgado assume que "todos nós cometemos erros e eu assumo que o grupo cometeu erros, mas erros provocados pela nossa estrutura e organização no topo, à qual deveríamos ter prestado mais atenção". "A ES International, é a nossa "holding" do topo, onde estavam os cinco principais accionistas. Mas a maioria desses cinco eram da área financeira. A necessidade de concentração e de tempo para dar a volta à crise levou a que não tivéssemos prestado atenção à nossa organização administrativa, financeira e contabilística no topo do grupo", dizia o líder do BES.

 

Salgado explicava, nessa entrevista, que depois de várias décadas no Luxemburgo sem problemas, estes "desabam e apanham-nos desprevenidos e despreparados". Algo que é provocado por uma "dispersão enorme de actividades e de "holdings", além de que "tínhamos uma estrutura extremamente frágil".

 

"O nosso "commissaire aux compte" da ES Internacional, que assumiu a responsabilidade dos erros cometidos, era também membro do conselho da Rioforte e geria os nossos activos não financeiros nos EUA: o edifício de Miami, o hotel… Além do acompanhamento em África, nomeadamente em Angola. E ficou completamente… Ele perdeu o pé no meio desta situação. E nós fomos surpreendidos com o exercício do ETRICC. Quando fomos fazer o levantamento da chamada dívida indirecta, através das emissões de obrigações, do papel comercial, que foi colocada nos particulares de retalho. E durante 40 anos, nós tivemos várias "holdings" no Luxemburgo, mas nunca ninguém nos disse que tínhamos que consolidar as "holdings". O nosso responsável pela área dizia que só com 30% do capital a exigir a consolidação é que nós devíamos fazer a consolidação. Viemos a perceber que não é assim, que tínhamos mesmo que fazer a consolidação", afirmava Ricardo Salgado a 22 de Maio.

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