Banca & Finanças Cortes nos trabalhadores do Banif vão continuar no Totta e na Naviget

Cortes nos trabalhadores do Banif vão continuar no Totta e na Naviget

O Santander comprou a actividade tradicional do Banif e ficou com 1.000 trabalhadores. Ficou com dinheiro para continuar a reestruturação, que passa pela redução de pessoal. A Naviget, que herdou imobiliário e participadas e 500 funcionários, tem rescisões em curso.
Cortes nos trabalhadores do Banif vão continuar no Totta e na Naviget
Diogo Cavaleiro 06 de janeiro de 2016 às 15:37

Os trabalhadores do Banif foram transferidos ou para o Santander Totta ou para o veículo de gestão de activos Naviget. Apesar de, na transição, os postos de trabalho terem sido salvaguardados com os respectivos direitos, a redução da força de trabalho é para manter.

 

O banco fundado por Horácio Roque contava com 1.765 trabalhadores no final de Setembro (número que poderia ser mais baixo em Dezembro, já que havia rescisões a ocorrer). Destes, cerca de 1.000 foram adquiridos pela instituição de capitais espanhóis que ficou com a rede de 150 balcões do Banif. Já a Naviget (que pode ter de trocar de nome) recebeu perto de 500. Os números avançados pelas entidades envolvidas (incluindo as autoridades Governo e Banco de Portugal) nunca são exactos.

 

Quando anunciou a intervenção estatal no Banif, o primeiro-ministro António Costa anunciou que os funcionários conservavam "os seus direitos intocados". O ministro das Finanças, Mário Centeno, afirmou, nas várias intervenções no Parlamento sobre o tema, que ficaram garantidos os postos de todos os trabalhadores do Banif – o que, argumenta, não aconteceria numa liquidação. Contudo, os vários partidos, da esquerda à direita, questionaram a ausência de outras garantias, como a de manutenção dos cargos por um determinado período de trabalho. Não houve resposta.

Parte dos trabalhadores passa para o Totta, parte fica no veículo de gestão de activos. Os direitos laborais serão respeitados
Mário Centeno, Parlamento, 21 de Dezembro de 2015

 

Dinheiro injectado no Totta engloba custos com reestruturação

 

No caso dos funcionários que foram integrados no Santander Totta, não há confirmações sobre eventuais rescisões a ocorrer no futuro. Os 1.000 funcionários herdados do Banif juntaram-se aos 5.261 trabalhadores do Santander (à data de Junho de 2015). Um acréscimo que deu maior quota de mercado ao banco – 14,5% – mas que aumentou a força laboral num momento de redução da estrutura em todo o sector bancário.

 

Em Dezembro, logo após o anúncio da compra do Banif, o Santander recusou-se a prestar quaisquer comentários à

O que aconteceu ao Banif
O Banif foi intervencionado a 20 de Dezembro. O Estado não conseguiu vender a sua participação de 60,5% sem que o Orçamento do Estado fosse chamado a participar nos encargos. Daí que o Banco de Portugal tenha avançado para uma resolução, envolvendo accionistas e detentores de dívida subordinada nas perdas. O caso vai ser alvo de uma comissão parlamentar de inquérito, sendo que os deputados também se propõem a recomendar uma auditoria externa e independente aos últimos anos de vida do banco do Funchal.

possibilidade de se avançarem com rescisões. Mas há dinheiro para isso.

 

No final desse mês, o Negócios questionou o Ministério das Finanças se o dinheiro injectado no Totta (o Estado colocou 2.255 milhões de euros e recebeu, em troca, 150 milhões de euros), englobava custos de reestruturação, como rescisões. "Engloba custos gerais de reestruturação", respondeu o gabinete de Mário Centeno. Desde 2012 que o Banif se encontrava em reestruturação, cortando balcões e reduzindo trabalhadores. Estava, aliás, a correr um programa de rescisões voluntárias. 

"O processo de reestruturação em curso manter-se-á e é nesse contexto que serão tomadas decisões de matéria laboral", disse, em Dezembro, Mário Centeno. 

 

Naviget com rescisões

 

Esta segunda-feira, 4 de Janeiro, os representantes dos sindicatos que constituem a Febase (Federação do Sector Financeiro) reuniram com os representantes da Naviget, a sociedade veículo de gestão de activos, com participações na Açoreana mas também na área de imobiliário, como indica o Diário Económico.

 

"Estes trabalhadores ficarão a gerir os activos e a prestar apoio ao banco nas áreas não transitadas", indica um comunicado oficial da Febase. Mas o número de funcionários pode reduzir no curto prazo. "Na reunião, os sindicatos foram também informados que manter-se-á em vigor o programa de rescisões por mútuo acordo, aberto a todos os trabalhadores da empresa veículo que pretendam candidatar-se", assinala ainda o mesmo documento.

 

Ao Negócios, Aníbal Ribeiro, secretário-geral da federação, adianta que o programa será aberto a todos os funcionários (que dizem respeito, por exemplo, a serviços centrais, departamentos de contabilidade e outros que não foram integrados no Totta) e que deverá ter as mesmas condições que o último programa do género no Banif.

A Naviget é o veículo de gestão de activos que terá o trabalho de conseguir minimizar os custos da intervenção do Estado no Banif (de 2.255 milhões de dinheiro estatal no imediato mas que poderão ascender a mais de 3.000 milhões com as garantias estatais concedidas ao Totta e ao veículo). Tem activos imobiliários e participações em unidades e sucursais, como a Açoreana. Para já, a sociedade, que vai ser liderada por Miguel Artiaga Barbosa (que era o administrador não executivo do Banif em representação do Estado na altura da intervenção) conta com uma receita de 18,4 milhões da venda do Banif Malta. 


 




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