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Crédito Agrícola sente recuperação económica através de maior procura por crédito

Se a procura por crédito é um sinal positivo para a economia portuguesa, então “está a haver um pequeno crescimento económico” segundo o presidente do Crédito Agrícola. Uma procura que intensificou a concorrência e levou a uma quebra das margens de ganhos para os bancos. Para Licínio Pina, está em causa apenas um “ajuste do mercado”.

Sofia Henriques
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 29 de Abril de 2014 às 16:55
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O Crédito Agrícola, banco com uma rede com forte presença rural, está a sentir alguns sinais de crescimento na procura de crédito. O que leva o seu presidente a falar numa recuperação "ténue" da economia nacional.

 

“O que nós notamos é que, de facto, há algum dinamismo, ainda, na minha perspectiva, ténue, de crescimento económico, verificado mais na procura de crédito”, declarou o presidente do conselho de administração Licínio Pina, numa conferência com jornalistas esta terça-feira, 29 de Abril.


De acordo com informações prestadas no encontro, o grupo cooperativo já concedeu, nos primeiros três meses de 2014, crédito novo num valor superior a 500 milhões de euros. “E temos notado, também, algum dinamismo na aquisição de activos imobiliários. Houve dois anos em que ninguém procurava nada. Agora, aqui, notamos todas as semanas: vendemos activos que estavam no balanço”, continuou Licínio Pina. Em causa, especifica, estão habitação, activos rústicos ou armazéns.

 

“É por todo o país. Não é apenas por Lisboa”, refere o presidente do grupo que se distribui por 700 balcões em todo o território nacional, com forte presença no segmento rural e especializado no sector agrícola.

 

“Se isso é um sinal de crescimento económico, então eu diria que está a haver um pequeno crescimento económico”, concluiu o responsável da instituição financeira, justificando, contudo, que o ponto de partida “é tão baixo que, agora, qualquer crescimento nota-se”.

 

Redução de “spreads” é apenas ajuste do mercado

 

Havendo maior procura por crédito, os bancos têm vindo a diminuir os “spreads” para baixar o custo do financiamento para o cliente e tornarem-se mais atractivos. Estes diferenciais percentuais correspondem à distância entre a taxa de juro paga para obter aquele dinheiro e a que cobra nos créditos aos clientes. Neste momento, as instituições financeiras, nomeadamente as de menor dimensão como o Crédito Agrícola, têm vindo a cortar os “spreads”, o que está a pressionar os grandes bancos.

 

“A quebra dos ‘spreads’ está a verificar-se desde o final de 2013 a esta parte e todos os bancos estão a ajustar os seus ‘spreads’”, declarou Licínio Pina, acrescentando que as contas do ano passado não ficaram deterioradas por este movimento.

 

Vão prejudicar as contas de 2014 do Crédito Agrícola? A resposta não é directa. “É o mercado a ditar as regras, o mercado a ajustar os ‘spreads’. Todos os bancos vão ter de ajustar”. “Há mais disponibilidade de liquidez e os bancos cortam os ‘spreads’”.

 

A única forma de compensar a queda destes diferenciais nos créditos concedidos é a de aumentar o volume concedido. Em 2013, o banco registou 8.199 milhões de euros em créditos sobre clientes, 2% abaixo do valor homólogo. Os depósitos cresceram 0,3% para 10.210 milhões de euros. O rácio de transformação (o que mostra o peso dos créditos nos depósitos captados) é de 80,3%. A instituição pretende chegar aos 90% já que, com esse rácio, continuaria a estar numa situação “confortável”.

 

Banco de Fomento é “boa iniciativa” para empresas

 

Com esta situação de liquidez, Licínio Pina reitera que não há falta de dinheiro para emprestar à economia. Há é falta de bons projectos. essa ideia de que há dinheiro para emprestar era, aliás, a razão para que, há um ano, o banqueiro fosse contra a criação de um Banco do Fomento. “Como intermediário financeiro, não me parece necessário”.

 

Um ano depois, o presidente do Crédito Agrícola já considera que a iniciativa do Governo é positiva. Há um ano, não estava definido o que era a instituição, defende. Neste momento, já se sabe que “será um instrumento de distribuição de fundos comunitários”. “Sendo assim, parece-me uma boa iniciativa para o desenvolvimento das empresas”. Contudo, relembra que, até ao momento, só foi definida a comissão instaladora (liderada por Paulo Azevedo - não confudir com o presidente da Sonae SGPS) “e mais nada”.

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