Banca & Finanças De saída do BIC, Mira Amaral faz publicidade ao seu mandato

De saída do BIC, Mira Amaral faz publicidade ao seu mandato

O BIC quer mostrar que começou com perdas em 2008 e que, desde aí, tem vindo a crescer, mesmo com o impacto da integração do BPN. Uma mensagem a passar depois de notícias sobre uma época turbulenta no banco.
De saída do BIC, Mira Amaral faz publicidade ao seu mandato
Paulo Duarte/Negócios
Diogo Cavaleiro 17 de junho de 2016 às 14:08

O banco criado em Portugal por Isabel dos Santos em parceria com Américo Amorim vai mudar de gestão. O primeiro líder do BIC, Luís Mira Amaral, vai deixar o cargo, dando lugar a Fernando Teixeira dos Santos, depois de um conturbado período de escolha de gestores que esbarraram no Banco de Portugal. Em jeito de final de balanço, há uma publicidade nas folhas dos jornais.

 

É uma página com gráficos em que o banco BIC, que tem agora Isabel dos Santos e Fernando Teles como principais accionistas, mostra a evolução desde que a actividade se iniciou, em 2008. Prejuízo de 776 mil euros em 2008, lucro de 5 milhões em 2011. Depois vem a parte da integração do BPN, por 40 milhões de euros, que levou o BIC para terreno negativo em 2012.

 

A mensagem a passar na publicidade é que, poucos meses a seguir à integração, foi possível o "break even" em Outubro de 2013, ou seja, os prejuízos ficaram para trás. "Geração de resultados positivos a partir do exercício de 2013", indica a publicidade. No entanto, em todo o ano de 2013 ainda houve perdas (7,5 milhões de euros) – número que não consta da publicidade. Na publicidade também não está a evolução dos rácios de capital: apenas surge o total de capitais próprios.

 

"Crescimentos" no volume de negócios, no crédito, nos depósitos. Estas são evoluções que a equipa de Mira Amaral coloca na inserção publicitária depois de vários meses de espera pela sucessão de Mira Amaral. A escolha dos accionistas para CEO era Jaime Pereira, o vice-presidente, mas o Banco de Portugal terá feito saber que não iria atestar a idoneidade do gestor – chegou a ser noticiado que foi a intransigência do Banco de Portugal em permitir a mudança de gestão no BIC que fez com que Isabel dos Santos tenha acabado com o acordo com o CaixaBank no BPI.

 

Querendo mostrar que o banco se tem focado na actividade "core" (bancária de cedência de crédito e recepção de depósitos), o BIC também sai com uma publicidade depois de noticiada, pelo Expresso, uma auditoria que apontou "fragilidades" na estrutura do banco, nomeadamente no envolvimento de Fernando Teles, presidente do conselho de administração, nas decisões de gestão corrente, que cabem ao presidente executivo.

 

Neste momento, o BIC aguarda que o Banco de Portugal aprove a equipa de gestores liderada por Fernando dos Santos para que se possa iniciar o mandato dos novos órgãos sociais.

(Notícia corrigida às 14:45 para alterar valores no segundo parágrafo)

 

No início da semana, o Negócios perguntou à assessoria de imprensa qual o motivo para esta publicidade. Não houve resposta. 




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