Banca & Finanças BPI quer cobrar "taxa BCE" a multinacionais e empresas públicas. Depósitos de grandes clientes desceram 63%

BPI quer cobrar "taxa BCE" a multinacionais e empresas públicas. Depósitos de grandes clientes desceram 63%

O BPI começou a aplicar uma comissão de 0,3% sobre os depósitos de clientes institucionais para compensar juros negativos do BCE. Vai aumentar esta taxa e quer aplicá-la também sobre multinacionais e empresas públicas.
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Rafaela Burd Relvas 04 de novembro de 2019 às 11:25
Os depósitos de clientes institucionais e financeiros no BPI diminuíram em mais de 63% no final de setembro deste ano, depois de o banco ter começado a cobrar uma comissão de 0,3% sobre estes depósitos para compensar o efeito dos juros negativos aplicados pelo Banco Central Europeu (BCE). Começa, assim, a ser cumprido o objetivo da instituição, que vai manter a estratégia e mesmo alargá-la. No início de janeiro, esta comissão vai aumentar para 0,5% e, no futuro, o BPI pretende aplicá-la também sobre grandes empresas, multionacionais e empresas públicas.

"Os depósitos de institucionais caem depois de termos começado a aplicar a comissão. Este era o objetivo que tínhamos, reduzir os depósitos de investimentos", afirmou o presidente executivo do BPI, Pablo Forero, esta segunda-feira, 4 de novembro.

O responsável falava na apresentação dos resultados trimestrais do BPI. Entre janeiro e setembro deste ano, o banco reportou lucros de 253,6 milhões de euros, valor que representa uma quebra de 52% face a igual período do ano passado. A justificar esta queda está o facto de, no ano passado, o BPI ter obtido ganhos extraordinários de 160 milhões de euros com a venda de participações, que não se repetiram este ano.

Quanto aos depósitos, os resultados mostram que o efeito foi rápido, depois de apenas três meses a aplicar aquela comissão. Os recursos de clientes aumentaram em 2,9% no conjunto dos nove primeiros meses do ano, para 22,6 mil milhões de euros. Deste montante, 22,3 mil milhões dizem respeito a depósitos de clientes, o que representa uma subida de 5,8%, e outros 350 milhões são relativos aos depósitos de institucionais. Este último montante representa uma quebra de 63% face a dezembro do ano passado.

Significa isto que a comissão levou a que os institucionais retirassem perto de 600 milhões do BPI. Segundo Forero, este dinheiro foi colocado em operações de refinanciamento do BCE e em bilhetes do Tesouro.

O BPI não tem uma meta para a redução dos depósitos destes clientes, mas assume que o objetivo é continuar a reduzi-los. "Os depósitos dos institucionais estão a custar-nos dinheiro e a penalizar a conta dos resultados. Se o saldo continuar a cair, é bem vindo", afirmou Pablo Forero.

E, para isso, já tem nova medida. "Já começámos a comunicar aos clientes que a comissão mudou para 0,5%, o que começará a ser aplicado no início de janeiro. Antecipamos que estes depósitos continuarão a descer", adiantou.

Ao mesmo tempo, há outros que poderão começar a ser taxados. Em Portugal, os bancos não podem aplicar juros negativos a depósitos de clientes e, por isso mesmo, têm feito pressão junto do regulador para que essa regra mude. Isto porque, noutros países europeus, é permitido que os bancos façam recair sobre os clientes a taxa negativa que o BCE cobra sobre o excesso de liquidez depositado no banco central, o que, como têm argumentado os banqueiros, coloca a banca portuguesa aem desvantagem.

"Não temos qualquer intenção de cobrar esta comissão aos particulares e às pequenas empresas. Mas, se for possível, queremos cobrar esta comissão a grandes empresas, multinacionais e emrpesas públicas. E estamos a acompanhar a ação da Associação Portuguesa de Bancos", concluiu Pablo Forero sobre este assunto.

Notícia atualizada pela última vez às 12h05 com mais informação e alteração do título.



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