Banca & Finanças Deputados alemães relutantes em pôr dinheiro dos contribuintes para salvar o Deutsche Bank

Deputados alemães relutantes em pôr dinheiro dos contribuintes para salvar o Deutsche Bank

O banco alemão enfrenta milhares de milhões de euros em multas decretadas pelo regulador norte-americano. Governo e principais grupos parlamentares torcem o nariz a uma operação de salvamento com dinheiro público.
Deputados alemães relutantes em pôr dinheiro dos contribuintes para salvar o Deutsche Bank
Bloomberg
Negócios 29 de setembro de 2016 às 17:59

O Parlamento alemão dificilmente aprovará a injecção de dinheiro público no Deutsche Bank, noticia a Reuters, citando proeminentes deputados das duas maiores forças políticas com assento no Bundestag.


"De momento, eu excluiria qualquer ajuda [pública]. Seguir por aí não seria o caminho certo", afirma Eckhardt Rehberg, porta-voz da CDU (partido da chanceler Angela Merkel) na comissão parlamentar de Orçamento. Idêntica foi a reacção de Hans Michelbach, que lidera os conservadores na comissão parlamentar de Finanças, acrescenta a Reuters. Já Norbert Spinrath, deputado do SPD, parceiro júnior na coligação governamental, não foi tão peremptório. "O ambiente é complexo. Teremos de o perceber melhor", disse.

Ao contrário do que chegou a ser noticiado nalguma imprensa, a chanceler, que esteve esta manhã reunida com o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, também já negou que o Governo esteja a ponderar uma repetição dos salvamentos financiados pelos contribuintes que a Alemanha, e outros países ocidentais, montaram durante a crise financeira global.

  

Escreve a Reuters que a relutância dos deputados deve-se ao facto do Deutsche ser um grupo financeiro mal-amado entre os alemães e à proximidade das eleições federais. Merkel tem visto a sua popularidade afundar devido à sua política de portas abertas para os refugiados sírios, e resgatar agora o banco poderia ser politicamente interpretado como um fracasso da sua política para enfrentar a crise financeira que detonou a crise do euro, forçando vários países a pedirem resgates, como foi o caso de Portugal.

Ao contrário do Commerzbank, segundo maior banco da Alemanha, que precisou de uma ajuda pública de 18,2 mil milhões de euros em 2008 e onde o Estado ainda detém uma participação de 15%, e que está de novo a perder valor em bolsa devido ao novo plano de reestruturação (que passa por 10 mil despedimentos e suspensão do pagamento de dividendos), o Deutsche Bank escapou, então, a um resgate. Mas avisou agora que não terá forma de responder à multa de 14 mil milhões de dólares que está a ser proposta pelo Departamento de Justiça dos EUA por más práticas ocorridas antes da crise financeira.

A sanção reforçou as preocupações sobre a estabilidade do banco, que tem visto o valor das suas acções esmagado para mínimos históricos. A confirmar-se, a multa decretada pelos Estados Unidos pode ser a gota de água para o maior banco alemão que já em Março do ano passado havia falhado nos testes de stress, que tem rating da S&P ligeiramente acima de "lixo (BBB+) e que anunciou, no início deste ano, perdas de 6,7 mil milhões de euros – valor aproximado ao do défice do Estado português.


A sucursal do Deutsche Bank em Portugal está em processo de reestruturação, estando previsto o fecho de 15 agências, a abertura de seis centros de investimento e a saída de alguns trabalhadores, disse à Lusa nesta semana o presidente do banco. O Deutsche Bank tem actualmente cerca de 400 trabalhadores em Portugal, com 50 balcões, e, de acordo com Bernardo Meyrelles, irá fechar 15 destes, sobretudo nas cidades de Lisboa e do Porto, onde há agências mais próximas entre si. Em contrapartida, afirmou, o plano passa pela abertura de seis centros de investimento, dos quais quatro já estão em funcionamento, onde dará preferência a clientes com mais alto valor patrimonial.




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