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"Desconheço". A resposta repetida pelo presidente do Popular sobre o Banif  

O Popular Portugal sabe pouco sobre o Banif porque é a "Infantaria". A "Força Aérea" é o Popular Espanha. Tudo é decidido em Madrid. Carlos Álvares é o presidente da administração do Popular nacional, mas desconhece muitos pormenores sobre a operação de compra do Banif.

Miguel Baltazar
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No arranque da comissão de inquérito ao Banif, o presidente do Popular em Portugal começou logo por dizer que pouco sabia do processo de compra do banco. Ao longo da audição, de pouco mais de 30 minutos, ficou claro que os deputados não iriam saber muitos pormenores sobre aquela operação, em que a instituição espanhola perdeu a corrida para o conterrâneo Santander. 

 

"Não lhe sei dizer". "Não lhe sei responder". "Não tenho grandes comentários para fazer". Estes são exemplos das expressões de Carlos Álvares na audição desta terça-feira, 24 de Maio, do inquérito ao Banif. "Desconheço" foi outra palavra muito repetida.

 

A ausência de respostas do líder do Popular em Portugal levou a que os deputados João Galamba, do PS, e Mariana Mortágua, do BE, deixassem passar as suas perguntas. E deu lugar à mais reduzida audição da comissão de inquérito ao Banif: pouco mais de 30 minutos em que cerca de 10 foram passados na intervenção inicial.

 

"Nós somos mais a Infantaria"
 

Carlos Álvares, no Banco Popular desde o ano passado (quando chegou ao cargo após a morte de Rui Semedo), explicou aos deputados que as operações de aquisição da instituição espanhola são decididas em Madrid no departamento de "Desenvolvimento Corporativo". "Eles são mais a Força Aérea, nós somos mais a Infantaria", brincou Carlos Álvares, disponibilizando-se para facilitar o contacto com quem liderou o processo de compra do Banif.

 

Aliás, a força de Madrid é tamanha que houve uma carta, com as linhas gerais da proposta de compra do Banif, entregue ao Ministério das Finanças a 16 de Dezembro, que esteve nas mãos de Carlos Álvares mas que não foi ele lida. "Na altura, não olhei para o documento", disse aos deputados.

 

Apesar de ter sido Madrid a decidir que o Popular ia concorrer ao Banif, a ideia de participar na consolidação em Portugal partiu de Carlos Álvares: "Posso ter aguçado o interesse do accionista", afirmou. Chegou ao banco no Verão de 2015 e, nos encontros que teve com as autoridades nacionais para se apresentar, anunciou a intenção de continuar a crescer em Portugal tanto por via orgânica como por eventuais aquisições.

 

O Popular esteve na corrida pelo Banif no ano passado mas ficou pelo caminho a 18 de Dezembro. Carlos Álvares não sabe porque o banco espanhol saiu da corrida e não avançou para uma proposta concorrente à do Totta, que acabou por sair vencedor. Mas tem um palpite: "O Popular é uma casa muito conservadora. É uma alteração grande quando passamos do modelo de venda para o modelo de resolução, que implicaria a tomada de decisões muito rápidas em que o perímetro seria distinto. Do que conheço da minha casa, admito que não se sentissem como peixe dentro de água", declarou, para logo deixar a ideia de incerteza: "Não sei se foi isso".

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