Banca & Finanças Deutsche Bank recomenda "comprar" BCP e "vender" BPI

Deutsche Bank recomenda "comprar" BCP e "vender" BPI

O banco alemão melhorou a recomendação do BCP e manteve a do BPI, com ambos os preços-alvo a serem reduzidos. A exposição a Angola é um dos maiores riscos que o banco liderado por Fernando Ulrich enfrenta, devido à queda do preço do petróleo e às novas regras da Comissão Europeia sobre a exposição ao país lusófono.
Deutsche Bank recomenda "comprar" BCP e "vender" BPI
Pedro Catarino/Correio da Manhã
André Cabrita-Mendes 16 de janeiro de 2015 às 13:21

Os analistas do Deutsche Bank (DB) melhoraram a recomendação do BCP de "manter" ("hold") para "comprar" ("buy"), segundo a nota de análise divulgada esta sexta-feira, 16 de Janeiro, a que o Negócios teve acesso.

 

O preço alvo do BCP foi reduzido de 0,09 euros para 0,086 euros e está com um potencial de valorização de 26,47% face ao fecho de ontem de 0,068 euros.

 

O DB considera que o banco liderado por Nuno Amado "deu grandes passos nos últimos 12 meses para reconstruir a sua posição de capital e para melhorar os lucros".

 

Em Julho de 2014 realizou um aumento de capital de 2,2 mil milhões de euros com o objectivo de pagar os empréstimos do Estado, com 750 milhões de euros ainda por pagar, o que acontecerá no final de 2016.


A posição de capital do grupo também é estável depois de o BCE ter dado luz verde ao plano do BCP após ter chumbado no cenário mais adverso dos testes de stress do BCE.

 

A instituição alemã aponta vários riscos negativos para o BCP. Uma venda do Novo Banco "pior que o esperado", o que poderá levar os bancos que participaram no Fundo de Resolução a "providenciar mais capital ou liquidez para apoiar o Novo Banco". A venda prolongada do NB também surge como um risco.

 

Depois, o atraso no pagamento dos CoCos ao Estado português também surge como um risco. Em terceiro, a possibilidade de venda forçada de activos, a baixos preços, pode resultar em receitas mais baixas por acção se a necessidade de aumentar o rácio de capital se tornar uma prioridade. Por último, uma baixa prolongada do preço do petróleo que poderá resultar numa rentabilidade mais baixa em Angola.

 

Angola pesa na análise do BPI

 

Ao mesmo tempo, o Deutsche Bank manteve a recomendação do BPI em "vender" ("sell"). O preço alvo do BPI foi reduzido de um euro para 0,70 euros e tem um potencial de desvalorização de 20,90% face à cotação de ontem de 0,885 euros.

 

O DB justifica a manutenção da recomendação do BPI devido à sua subsidiária angolana. Primeiro, por cerca de 60% dos seus lucros antes de impostos para este ano terem origem em Angola, e a queda do preço do petróleo nos mercados internacionais está a afectar as contas públicas de Luanda, onde 45% do PIB é gerado a partir do petróleo.

 

Em segundo, a exposição do BPI a Angola. O banco liderado por Fernado Ulrich vai mudar este ano a forma como contabiliza o peso do BFA nos seus rácios de capital. Estas regras vão ter assim um impacto na solidez financeira da instituição.

 

O Deutsche Bank aponta que agora existem três possibilidades para o BPI fazer face às imposições do BCE. Primeiro, a redução da exposição à dívida pública angolana, o que teria, contudo, impacto nas margens líquidas e receitas do BFA.

 

Depois, aumentar a liquidez do grupo, realizando um aumento de capital de 12 mil milhões de euros, um valor nove vezes superior ao actual valor de mercado. Por último, reduzir a fatia de 50,1% no BFA, perdendo o controlo da subsidiária, mas beneficiando do efeito de desconsolidação.


No terceiro trimestre de 2014, o BFA tinha uma exposição de 3,6 mil milhões de euros ao Governo angolano e de 1,3 mil milhões de euros ao Banco Nacional de Angola.

 

Os maiores riscos positivos para o BPI, diz o DB, são: um aumento no preço do petróleo, que terá um impacto no BFA; a capacidade de comprar o Novo Banco a um bom preço e ser capaz de gerar significantes custos de sinergia; alguma compreensão por parte do BCE na interpretação das novas regras para a contabilização da exposição a Angola.

 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro. 




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