Banca & Finanças Dijsselbloem: Deutsche Bank tem que sobreviver sem ajuda estatal

Dijsselbloem: Deutsche Bank tem que sobreviver sem ajuda estatal

Num momento em que o Deutsche Bank vive momentos conturbados nos mercados, o presidente do Eurogrupo deixou um alerta sobre a sobrevivência do maior banco alemão: não poderá haver injecção de fundos do Estado alemão.
Dijsselbloem: Deutsche Bank tem que sobreviver sem ajuda estatal
Reuters
Nuno Carregueiro 30 de setembro de 2016 às 14:27

Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, descartou esta sexta-feira, 30 de Setembro, a possibilidade de o Deutsche Bank ser recapitalizado com dinheiro dos contribuintes alemães.

 

O maior banco da Europa tem que sobreviver "por si só" e sem a assistência do Estado alemão, afirmou o ministro das Finanças da Holanda, que é também o presidente do grupo que reúne os seus homólogos da Zona Euro. As declarações, citadas pela Reuters, foram efectuadas depois do Conselho de Ministros do Executivo holandês.

As palavras do presidente do Eurogrupo surgem numa altura em que o banco alemão está no centro das preocupações, devido à especulação em torno das necessidades de capital da instituição.

Com o objectivo de pôr água na fervura, o próprio presidente executivo do banco, John Cryan, fez uma comunicação interna aos funcionários, onde realça que a instituição diminuiu a exposição a riscos nos últimos anos, e que, "nas últimas duas décadas" o balanço do banco nunca foi "tão estável".

 

John Cryan destaca na nota aos funcionários que nos últimos tempos o banco tem sido alvo de "especulação dos media" e que o "trabalho [do Deutsche Bank] é assegurar que esta percepção distorcida não tem um impacto forte no negócio do dia-a-dia", de acordo com a Bloomberg.

 

"A confiança é a chave do negócio da banca", realçou, considerando que "há forças no mercado que querem minar a confiança" no maior banco da Europa.

 

Esta sexta-feira, os títulos do maior banco europeu atingiram um novo mínimo histórico abaixo dos 10 euros, tendo chegado a desvalorizar um máximo de 8,98%. Isto depois de a Bloomberg ter noticiado ontem que vários fundos que recorrem ao Deutsche Bank para fazer a negociação de contratos derivados, usando-o como contraparte na garantia das transacções, estão a retirar operações e fundos que têm alocados no banco alemão.

 

Depois de conhecidas as declarações do CEO do banco aos funcionários, as acções atenuaram as perdas, seguindo a desvalorizar 0,92% para 10,775 euros.

 

Já na quarta-feira, John Cryan havia descartado a necessidade de um aumento de capital no maior banco da Europa, garantindo não ter pedido ajuda à chanceler alemã Angela Merkel para superar os desafios que a instituição enfrenta.
 
Ao Bild, Cryan assegurou numa entrevista que a hipótese de um aumento de capital não se coloca "neste momento" e que aceitar a ajuda do Governo "está fora de questão".

"Em nenhum momento pedi ajuda à chanceler. Nem sequer sugeri nada disso", afirmou.

 

No mesmo dia, o próprio Governo alemão negou estar a preparar qualquer plano para lidar com a incapacidade do Deutsche Bank reforçar o seu capital de modo a lidar com a multa recorde que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos pretende aplicar ao banco alemão.

 

(Notícia actualizada às 15:00)




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