Banca & Finanças Direita insiste no rodapé que "embarateceu" Banif. Esquerda ataca Governo de Passos

Direita insiste no rodapé que "embarateceu" Banif. Esquerda ataca Governo de Passos

Cecília Meireles lembra a fuga de informação que levou à notícia da TVI e que provocou a saída de depósitos no Banif. Mariana Mortágua respondeu que "só existiu a notícia da TVI porque existia um problema".
Direita insiste no rodapé que "embarateceu" Banif. Esquerda ataca Governo de Passos
Bruno Simão
Diogo Cavaleiro 23 de dezembro de 2015 às 13:10

A direita defende que a fuga de informação sobre a intervenção no Banif, consubstanciada numa nota de rodapé da TVI uma semana antes da resolução, causou a sua queda. A esquerda argumenta que antes dessa notícia, o Banif já estava a cair. Em traços gerais, estas são as posições dos partidos no debate na especialidade do Orçamento Rectificativo para 2015.

Do CDS, Cecília Meireles diz que a nota de rodapé da TVI de 13 de Novembro, que falava no fecho do Banif, causou uma fuga de depósitos de mil milhões de euros. "A nota de rodapé mais cara da história", classificou a deputada centrista. "Porque é que não há uma queixa, um processo de averiguações? Quem potenciou esta fuga de informação?", questionou Cecília Meireles. "Quem é que embarateceu aquele banco para alguém o comprar?", lançou.

"Só existiu a notícia da TVI porque existia um problema. Foi criado por um Governo que não fez nada ao longo de três anos", atacou Mariana Mortágua, dizendo que o Executivo de Passos Coelho e Paulo Portas "deixou um prazo a correr e depois vem dizer que houve uma notícia".

Só existiu a notícia da TVI porque existia um problema. Foi criado por um Governo que não fez nada ao longo de três anos.
Mariana Mortágua
Deputada do Bloco de Esquerda

O Banif recebeu uma injecção de 1,1 mil milhões de euros em 2012, tendo assumido o compromisso de reestruturação com a Comissão Europeia, para não haver distorções na concorrência. Nunca houve um plano deste género aprovado e houve uma parte do auxílio que não foi devolvida na data marcada, no final de 2014 – o que acabou por precipitar o fim do banco.

O PCP reiterou que o Governo anterior não fez o que devia para se promover: "O Banif é mais um elemento que comprova o embuste propagandístico da saída limpa".

"Se o problema do Banif não foi assumido mais cedo, a responsabilidade só tem uma paternidade", disse também o PEV, pela voz de José Luís Ferreira, atirando ao Governo da coligação PSD e CDS. 

Já Luís Montenegro, do PSD, ironizou sobre a falta de estabilidade da solução de Governo, do PS apoiado pelo BE, PCP e PEV, acusando de "falta de sentido de Estado da nova maioria parlamentar". Ao mesmo tempo, disse que a "Caixa Geral de Depósitos não pode ser o caixote do lixo do sistema financeiro português", mostrando-se contra a hipótese que o Governo PS queria impor na solução do Banif, e que a Comissão Europeia rejeitou.

"Não, não era um caixote do lixo nenhum", respondeu o socialista João Galamba, avançando com garantias dirigidas ao PSD: "Não privatizaremos a CGD, como o seu governo e o seu partido queria fazer. Isso não acontecerá com o PS".

O Orçamento Rectificativo para 2015, que permite a injecção de 2.255 milhões de imediato na salvação do banco, foi aprovado pelo PS com a abtenção do PSD e votos contra das restantes bancadas parlamentares. 






pub

Marketing Automation certified by E-GOI