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Dívida "perdida" do NB era para grandes investidores mas pode estar em particulares

Haverá pequenos investidores com obrigações que saíram do Novo Banco para o BES. Apesar de, aquando da emissão, terem sido destinadas a institucionais, os particulares podem tê-las adquirido no mercado secundário.

Miguel Baltazar/Negócios
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O Banco de Portugal quis impor as perdas com o reforço de solidez do Novo Banco aos grandes investidores com dívida que este banco herdou do Banco Espírito Santo. Contudo, neste momento, parte desta dívida estará nas mãos de particulares, conforme relatam alguns investidores ao Negócios. Não há garantias de que também estes pequenos investidores não enfrentem perdas. 

 

"O Banco de Portugal determinou retransmitir para o BES a responsabilidade pelas obrigações não subordinadas por este emitidas e que foram destinadas a investidores institucionais", indicou o regulador no comunicado quando anunciou que o Novo Banco ficava livre do dever de reembolsar 1.985 milhões de euros em obrigações seniores (que passam para o banco "mau").

 

A ideia da autoridade liderada por Carlos Costa é a de que estes títulos foram emitidos para grandes investidores institucionais como bancos, fundos e seguradoras. Em Portugal, os maiores bancos não detêm esta dívida, a maior seguradora nacional (Fidelidade) também não mas há três fundos que estão expostos à dívida, embora de forma "diminuta".

 

O respaldo do Banco de Portugal para tomar esta decisão, que favorece os rácios do Novo Banco, é que a oferta destas obrigações, quando foram emitidas pelo BES, era destinada apenas a institucionais, ou seja, investidores qualificados, que sabiam os riscos do produto que estavam a comprar. A oferta não era para clientes no retalho (balcões), até porque o valor mínimo a investir era 100 mil euros por título. Todas as outras obrigações seniores do Novo Banco - que não foram retransmitidas para o BES esta terça-feira - tinham sido emitidas com um valor mínimo de subscrição inferiores, daí terem permanecido na instituição sob o comando de Eduardo Stock da Cunha.

 
Particulares afectados sem garantias

Mas a verdade é que há particulares que podem ter alguma parte das obrigações que foram passadas para o BES não esteja em particulares. Como? Apesar de não poderem ter sido vendidos a particulares no momento da emissão, os títulos estavam cotados, isto é, admitidos à negociação: logo, podem ter, aqui, sido adquiridas por pequenos investidores.

 

A confirmar-se que há particulares com estes títulos, não há garantias de que as suas obrigações não estejam a salvo das perdas imputadas com a transferência para o BES "mau", que vai para liquidação, e, dado o seu desequilíbrio patrimonial, a devolução daquele investimento será limitada. 


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