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Draghi em Milão para tentar combater “fogo” no mais velho banco do mundo

Contratos de alto risco e suspeitas de gestão ruinosa passaram despercebidos ao Banco de Itália quando este era dirigido por Mário Draghi.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 29 de Janeiro de 2013 às 11:29
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O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mário Draghi, teve ontem um encontro não programado com o ministro italiano das Finanças, Vittorio Grilli, para discutir o avolumar de problemas e suspeitas de gestão danosa no Monte dei Paschi di Siena (MPS), em vésperas de o assunto ser debatido no parlamento italiano e em plena campanha eleitoral.

 

O banco mais antigo do mundo, com cinco séculos de actividade, foi resgatado pelo Estado italiano em 2009, no calor da crise financeira, mas voltou a pedir ajuda neste Verão. O pedido, aceite por Mário Monti, fez então correr muita tinta. O primeiro-ministro demissionário, que concorre nas eleições gerais marcadas para finais de Fevereiro, justificou a intervenção com a necessidade de salvaguardar os depositantes e a estabilidade e do sector financeiro – o MPS é o terceiro maior banco italiano por activos – mas a oposição acusou-o de salvar banqueiros à custa do erário público.

 

O assunto voltou agora às primeiras páginas dos jornais e está a abalar a campanha eleitoral (o MPS é tido como próximo da esquerda democrática, favorita nas sondagens) por se ter descoberto mais um “buraco” de 700 milhões de euros, numa altura em que Milena Gabanelli, jornalista de investigação, revelou documentos internos do banco que sugerem que essas perdas decorrem de três operações de alto risco (contratos de derivados que envolvem o Deutsche Bank e o Nomura) realizados em 2010, já o banco tinha sido intervencionado.

 

Essas operações terão alegadamente passado despercebidas ao supervisor, o Banco de Itália, numa altura em que este era dirigido pelo próprio Draghi.  O Banco de Itália, agora presidido por Ignazio Visco, sustenta que só teve conhecimento dessas operações de alto risco por intermédio da nova gestão do banco, que tomou posse em Abril do ano passado.

 

O Financial Times cita duas pessoas próximas do supervisor italiano, segundo as quais Draghi, na qualidade de governador, ordenou um intenso escrutínio ao Monte dei Paschi e que, não obstante o banco central não ter poderes para demitir gestores, foi a sua pressão que levou à saída “voluntária” da administração do banco no ano passado.

 

O caso está a ser averiguado pela Justiça. Para além destas operações de alto risco, levanta suspeitas a aquisição ruinosa, em 2007, do Antonveneta, banco rival de Siena, que o Monte dei Paschi comprou por 9 mil milhões de euros, valor que duplica o que seria o seu valor de mercado, medido por múltiplos do sector.

 

Os accionistas do banco aprovaram na semana passada um plano de aumento de capital no valor de 6,5 mil milhões de euros, cumprindo uma etapa fundamental para que o Monte dei Paschi possa receber uma segunda ajuda do governo italiano. As ajudas de Estado ao MPS, destinadas a cumprir os requisitos de capital, em aplicação das normas de Basileia, ascenderão, assim,  a 3,9 mil milhões de euros.

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