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Dubai impõe restrições a unidade do Espírito Santo por estar com "solvência seriamente comprometida"

O regulador da banca do Dubai impôs restrições de actividade ao ES Bankers, pertença do ESFG, depois de o suíço Banque Privée da Suíça, também do Grupo Espírito Santo, ter falhado pagamentos. As operações e solvências da unidade estão "seriamente comprometidos". O presidente, Ricardo Salgado, perdeu o estatuto de "adequado" para ser banqueiro.

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 18 de Setembro de 2014 às 09:18
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Impedida de receber e de pagar depósitos e obrigada a manter e preservar os seus activos. É sob estas restrições que, a partir desta quinta-feira 18 de Setembro, se encontra o ES Bankers, a unidade do Grupo Espírito Santo no Dubai. Isto porque o banco está com a solvência "seriamente comprometida".

 

A Autoridade dos Serviços Financeiros do Dubai (DFSA, na sigla inglesa) explica, num comunicado publicado no site oficial, que a "imposição da restrição foi considerada necessária devido à incapacidade do banco do Grupo Espírito Santo sedeado na Suíça, o Banque Privée Espírito Santo, de honrar compromissos contratuais com o ES Bankers Dubai e de reembolsar os depósitos devidos ao ES Bankers Dubai no normal curso dos negócios".

 

De acordo com a mesma fonte, o facto de o banco suíço – que a autoridade do Dubai faz questão de frisar que é presidido por José Manuel Espírito Santo – ter falhado os seus comprometidos "comprometeu seriamente as operações e a solvência do ES Bankers Dubai".

 

O organismo de regulação do Dubai já tinha tomado alguns passos devido "ao rápido desenvolvimento das dificuldades financeiras do Grupo Espírito Santo nos últimos meses". Uma das acções foi a impossibilidade de se transferirem activos do ES Bankers para outras sociedades do grupo, além de ter sido colocado um gestor a actuar em substituição do conselho de administração do banco com efeitos a partir de 11 de Agosto.

 

De acordo com o site do ES Bankers, Ricardo Salgado era o presidente do conselho de administração do banco, sendo que Pasha Bakhtiar era o presidente da comissão executiva (CEO). Contudo, Salgado está suspenso dado que, segundo o regulador do Dubai, "já não é uma pessoa adequada" para ser um administrador de um banco. Não foi possível obter uma reacção do antigo presidente do BES.

 

A unidade do Dubai era uma operação de gestão de patrimónios e de fortunas, sendo detido pelo Espírito Santo Financial Group, a empresa através da qual o grupo tinha posições no Banco Espírito Santo e nos bancos fora da União Europeia (Panamá, Dubai e Suíça). O ESFG tem 95% do seu capital, sendo que o restante 5% está distribuído por "outros accionistas", que não são identificados no site da instituição financeira.

 

O ESFG solicitou para ficar, com base no regime legislativo do Luxemburgo, sob protecção de credores, a chamada "gestion contrôlée". A unidade do Panamá foi alvo de uma intervenção por parte do regulador, havendo notícias de que foi utilizada para financiar empresas do Grupo Espírito Santo, e, na Suíça, o Banque Privée está a ser investigado.

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