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Dublin ameaça com reestruturação da dívida para obter juros mais baixos

Novo "buraco" nos bancos irlandeses pode ascender a 23 mil milhões de euros. Dublin diz que tem de ponderar renegociação do valor da dívida astronómica assumida. Fazê-lo provocará cascata de perdas na frágil banca de toda a Europa. Estará a Irlanda a fazer "bluff" para forçar descida do juro do empréstimo externo? Analistas dizem que sim.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 28 de Março de 2011 às 14:04
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Os resultados dos “testes de stress” à banca irlandesa, exigidos como condição prévia para os 10 mil milhões de euros prometidos pela UE e do FMI para reestruturar o sector, no quadro da ajuda externa de 85 mil milhões, serão conhecidos nesta quinta-feira.

A imprensa irlandesa refere hoje que o novo “buraco” na banca oscilará entre 18 e 23 mil milhões de euros, amplamente acima do valor da ajuda prevista, o que obrigará a novas injecções de capital público, numa altura em que as finanças do Estado irlandês estão à beira da ruptura.

No mercado secundário, as taxas de juro da dívida pública continuam a rondar os 10% (nos prazos mais longos, mas também nos mais curto), numa indicação de que os investidores consideram que só mediante uma reestruturação (perdão parcial e/ou alargamento dos prazos de reembolsos) a Irlanda evitará entrar numa situação de incumprimento com os credores.

A possibilidade de reestruturação – que ainda gera arrepios na Europa, em particular na Alemanha, cujos bancos têm uma grande exposição à banca irlandesa – foi hoje abertamente admitida pelo ministro irlandês da Agricultura.

Em declarações citadas pela Bloomberg, Simon Coveney diz que o Governo “quer uma solução sustentável e completa que envolva a recapitalização [dos bancos], mas também um elemento de partilha do fardo, bem como um pacote de financiamento para os bancos da Irlanda”.



Táctica negocial?

“Os mercados já estão à nossa frente” em aceitar que existe “uma possibilidade, ou mesmo probabilidade de que os credores tenham de partilhar alguma da dor”, argumentou.

Agitar com a possibilidade de reestruturar a dívida dos bancos irlandeses – que provocaria uma cascata de perdas nos balanços da debilitada banca europeia – poderá, no entanto, ser nesta altura meramente estratégica, para forçar a Europa (leia-se Alemanha) a aceitar baixar a taxa de juro associada ao empréstimo irlandês.

“Pode ser uma táctica de negociação para tentar um acordo melhor com a Europa”, disse o economista da Bloxham Stockbrokers, Alan McQuaid, à Bloomberg. “ Não vão negociar ao nível das políticas fiscais, por isso não têm muito mais por onde negociar”, acrescentou.

Ao contrário da Grécia, que obteve uma redução de um ponto percentual, para 4,5%, na taxa média do seu empréstimo internacional – a troco, entre outras coisas, do reforço e aceleração do seu programa de privatizações –, a Irlanda ainda não conseguiu rever os termos da sua ajuda, devido à intransigência em rever a taxa de imposto quase-paradisíaca (12,5%) que aplica às empresas.


BCE prepara linha de 60 mil milhões


O Banco Central Europeu (BCE) terá, por seu turno, reservado já mais de 60 mil milhões de euros para apoiar os bancos irlandeses que não passarem nos testes de 'stress'.

Segundo o “The Irish Times” deste domingo, estas linhas de crédito destinar-se-ão a compensar a fuga de capitais previsível dos bancos que falharem nos testes.

Mas, ao contrário da assistência de liquidez realizada até agora, o BCE passa a deter inteiramente o poder de retirar o apoio financeiro aos bancos irlandeses, caso a Irlanda não cumpra os compromissos assumidos em troca da ajuda internacional.

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