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Empresas suíças põem dinheiro em cofres devido às taxas de juro negativas

É uma tendência clara. Na Suíça é cada vez maior o número de empresas que optam por colocar dinheiro em cofres, protegido por seguros, para evitar ter de pagar para depositar, isto devido às taxas de juro negativas.

Reuters
Negócios com Bloomberg 06 de Setembro de 2016 às 16:34
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É cada vez mais normal ver bancos centrais a decretar taxas de juro abaixo de zero, negativas. Foi aquilo que fez recentemente o banco central do Japão, e que o Banco Nacional da Suíça decretou no início de 2015, ao adoptar uma taxa de juro para os depósitos de -0,75%, a menor entre os principais bancos centrais. Consequência? Colocar dinheiro em cofres é uma prática que se torna habitual, substituindo a aposta em depósitos bancários.

 

Como escreve esta terça-feira, 6 de Setembro, a agência Bloomberg, na Suíça é cada vez maior o número de empresas que estão a fazer seguros para proteger o dinheiro colocado em cofres de roubos e, ou, deterioração. Segundo Pkilipp Surholt, da Zurich Insurance Group, tem havido pedidos de cobertura de montantes entre 100 e 500 milhões de francos suíços.

 

Contudo a aposta na colocação do dinheiro em cofres não está isenta de custos. Para além dos custos relacionados com os seguros, as empresas têm de pagar os respectivos cofres. A Helvetia Holding cobra cerca de mil francos para assegurar 1 milhão de francos, ainda assim bem menos do que essa companhia pagaria para ter esse montante depositado numa instituição financeira durante o período de um ano.

 

Por outro lado, as empresas têm de assegurar o pagamento de todos os custos logísticos tais como o transporte e sistemas de alarme dos cofres, que numa pequena caixa podem facilmente conter 1 milhão de francos em notas de mil francos.

Mas como explica Alexander Koch, economista do Raiffeisen Schweiz, a tentativa do banco central suíço fazer o melhor pela economia do país "está também a criar problemas e danos colaterais". Como tal, bancos como o UBS estão a ponderar passar os custos relacionados com as taxas de juro negativas para os seus clientes mais abonados financeiramente elevando as taxas cobradas aos empréstimos concedidos. 

O referido UBS e o Credit Suisse já passaram mesmo parte do fardo resultante destas taxas negativas - embora não divulguem montantes - para clientes ricos como fundos de investimento e grandes empresas. Ainda assim, Fritz Zurbruegg, vice-presidente do Banco Nacional da Suíça, afirmou na semana passada que a política de taxas de juro negativas "é necessária e está a resultar". 

A aposta em taxa de juro abaixo de 0% é uma medida de último recurso que vem sendo seguida por alguns dos principais bancos centrais, com o objectivo de estimular a economia e impulsionar a inflação, mediante a redução dos custos relacionados com a contracção de créditos para empresas e para as famílias.

Também na Alemanha se começam a fazer sentir os efeitos perniciosos das taxas de juro negativas e consequentes reduzidas ou nulas remunerações das poupanças. Vários depositantes alemães estão a apostar em guardar o dinheiro em cofres.

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