Banca & Finanças "Erros meus, má fortuna, liderança ausente". Como Manuel Sebastião vê a banca

"Erros meus, má fortuna, liderança ausente". Como Manuel Sebastião vê a banca

O antigo administrador do Banco de Portugal criticou a falta de liderança do regulador bancário e de Governos nacionais. E lembrou que a contenção orçamental entre 2010 e 2015 não servia para pagar os "quatro desastres" do sector da banca portuguesa. 
"Erros meus, má fortuna, liderança ausente". Como Manuel Sebastião vê a banca
Pedro Elias/Negócios
Diogo Cavaleiro 29 de junho de 2016 às 16:24

"Erros meus, má Fortuna, Liderança ausente

Em minha perdição se conjugaram,

Os erros e a Fortuna sobejaram,

Que para mim bastava Liderança somente".

 

Luís Vaz de Camões, poeta do século XVI, foi usado, no século XXI, para descrever a actual situação da banca nacional. Foi pela voz de Manuel Sebastião que, num colóquio organizado pela comissão que defende a reconfiguração da banca portuguesa, o poema perdeu o "Amor ardente" e ganhou a "Liderança ausente". Porque é assim que o antigo presidente da Autoridade da Concorrência, e também ex-administrador do Banco de Portugal, vê o passado da banca nacional.

 

Segundo declarou Manuel Sebastião perante uma plateia de 30 pessoas, na Câmara do Comércio em Lisboa, faltou liderança das autoridades portuguesas para liderar com os bancos nacionais.  

 

"Nem a troika nem as autoridades portuguesas impediram que os problemas se continuassem a agravar de forma irrecuperável [em bancos que acabaram por ser intervencionados]. A saída limpa do programa de ajustamento teve lugar no prazo previsto mas, apenas dois meses depois, aplicou-se a primeira medida de resolução", disse o antigo administrador do próprio Banco de Portugal até 2008 – quando transitou para a Autoridade da Concorrência.

 

Questionado pelo moderador, Pedro Santos Guerreiro (antigo director do Negócios), sobre de que liderança falava, Manuel Sebastião especificou que se encontra, no passado, "falta de liderança ao nível do Governo e autoridades de regulação".

 

Mesmo actualmente, o antigo líder da Autoridade da Concorrência não vê uma defesa de interesses estratégicos, embora admita uma excepção para o caso da Caixa Geral de Depósitos, em que diz que se está a tentar enfrentar o problema pela raiz.

 

Na sua intervenção, em Lisboa, Manuel Sebastião lamentou, contudo, que a forma encontrada para liderar com os quatro "desastres" da banca (BPP, BPN, BES e Banif) tenha usado demasiado dinheiro comparando com o peso da economia. "Toda a contenção orçamental foi inferior ao custo destes quatro desastres em 2 mil milhões de euros. Toda a contenção orçamental de 2010 a 2015 não chegaria para pagar estes desastres", insistiu.

 

É por isso que o agora administrador da REN recusa a ideia de que os problemas da banca nacional tenham sido trazidos pela união bancária. "Os problemas graves com que o sector bancário português não tem origem na União Bancária. Antes, são essencialmente resultado dos nossos próprios erros ao longo dos anos: falhas de mercado, de supervisão, de política económica e de regulação". 




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