Banca & Finanças ES Hotéis não consegue revitalizar-se e dívida de 106 milhões está em dúvida

ES Hotéis não consegue revitalizar-se e dívida de 106 milhões está em dúvida

Não houve acordo entre os credores da ES Hotéis para a revitalização. O processo estava já envolto em polémica, desde logo porque o Montepio dizia ter direito a reter o capital da Hotéis Tivoli. O caminho deverá ser a insolvência.
Diogo Cavaleiro 18 de junho de 2015 às 19:14

A recuperação da Espírito Santo Hotéis, a sociedade "holding" do Grupo Espírito Santo que controlava o Tivoli Hotels, não tem pernas para andar. O processo de negociação entre os seis credores – Montepio, BPI, Rioforte Investments, Rioforte Portugal, Tivoli Gare do Oriente e Ernest & Young – terminou sem acordo.

 

"Importa assim, considerando ultrapassado do prazo previsto no artº 17º D n.º5 do C.I.R.E, sem que tivesse existido tempestivamente acordo, concluir estar o processo negocial encerrado", começa por indicar o comunicado disponibilizado na plataforma informática Citius.

 

Assim, é fechado o processo de revitalização da ES Hotéis, sociedade através do qual o Grupo Espírito Santo controlava os Hotéis Tivoli mas que não gere as actividades hoteleiras, "não existindo fundamento legal para aguardar qualquer outro prazo nos termos requeridos pela devedora".

Não havendo acordo, o processo negocial entre credores foi encerrado e a revitalização terminada. O Negócios não conseguiu contactar a Espírito Santo Hotéis nem o administrador judicial mas sabe que a decisão não está relacionada com o arresto de bens que tem envolvido sociedades e ex-administradores destas empresas mas sim com a conclusão de que não seria passível de revitalização. 


Montepio tinha já levantado dúvidas 


Contudo, já na reclamação dos créditos tinha havido polémica, nomeadamente envolvendo a entidade a que a ES Hotéis mais deve: a Caixa Económica Montepio Geral. De acordo com a lista provisória de créditos, publicada no site do Citius, a Caixa Económica Montepio Geral tem um crédito, em papel comercial da ES Hotéis, no valor de 60 milhões de euros, 51,61% do total de 106 milhões em dívida. O crédito não é garantido, como se lê na decisão publicada: o grupo defende que sim, mas o administrador judicial Amadeu Magalhães diz que não. 

 

Da lista de credores, percebe-se que houve um contrato entre a instituição bancária e a sociedade do GES para o depósito de títulos representativos do capital da Hotéis Tivoli. É com base na possibilidade de reter esses títulos da empresa – cujo objectivo final é ser vendida – que o Montepio diz que o crédito é garantido. O que não tem adesão no administrador judicial: o crédito reclamado não foi feito na sequência do depósito das acções da cadeia hoteleira, pelo que "não estão verificados os pressupostos para classificar como garantido".

 

"A Caixa Económica Montepio Geral reclamou créditos invocando garantia real, aguardando-se competente decisão judicial uma vez que impugnou a decisão do administrador judicial provisório", justificou a entidade na altura em que foi noticiada a relação de credores, Março passado. Não houve posição oficial da instituição financeira, nem é possível saber como fica este processo judicial. 

 
Tivoli segue o seu caminho

A ausência de acordo entre todos os credores ocorreu numa altura de tensão nos processos de revitalização de sociedades operacionais do Grupo Espírito Santo que estão em curso devido ao arresto de bens que tem sido feito pela Justiça.

 

Por exemplo, a Tivoli já teve o aval dos credores para o seu plano de revitalização (distinto do da ES Hotéis) enquanto a ES Property já conseguiu o sim do tribunal ao plano definido pelos credores, mas há dúvidas quanto ao impacto daquele arresto.

 

Contactada, "a administração da Tivoli Hotels & Resorts vem clarificar que a actividade deste grupo hoteleiro e os Processos Especiais de Revitalização (PER) em curso decorrem autonomamente face à holding Espírito Santos Hotels", acrescentando que os planos de recuperação aguardam "o normal decurso dos trâmites processuais".




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