Banca & Finanças Estado injecta 1,1 mil milhões de euros para reforçar capital do Banif

Estado injecta 1,1 mil milhões de euros para reforçar capital do Banif

Estado português vai subscrever um aumento de capital de 700 milhões de euros no banco liderado por Jorge Tomé e injectará mais 400 milhões de euros através de títulos de dívida. O Banco fará ainda outro aumento de capital, de 450 milhões de euros.
Estado injecta 1,1 mil milhões de euros para reforçar capital do Banif
Nuno Carregueiro 31 de dezembro de 2012 às 16:45

O Banif vai receber um apoio público de 1,1 mil milhões de euros para reforçar os seus rácios de capital, anunciou hoje o Banco liderado por Jorge Tomé e o Ministério das Finanças, em dois comunicados distintos.

 

A maior fatia do apoio estatal será concedida através de um aumento de capital, de 700 milhões de euros, que será todo subscrito pelo Estado. Além disso, o Estado português vai subscrever mais 400 milhões de euros em instrumentos de capital elegíveis para Core Tier 1 (“ISE”).

 

Com este aumento de capital de acções especiais, a serem subscritas pelo Estado, o Banif passará a ter grande parte do capital detido pelo estado português, o que até aqui não tinha acontecido nos planos dos dois outros bancos que receberam apoios públicos (BPI e BCP).

 

O ministério das Finanças e o Banif não divulgam a percentagem de capital que o Estado passará a ter no banco sedeado no Funchal, mas deverá ser superior a 50%, já que o capital social do Banif é actualmente de 570 milhões de euros.

 

No aumento de capital o Estado vai subscrever 70 mil milhões de novas acções, com um valor nominal de 0,01 euros cada uma. De acordo com o Banif, 44.511.019.900 acções a subscrever terão direitos de voto, que serão exercidos na sua plenitude pelo Estado. Estas acções “conferem ao Estado o direito a um dividendo prioritário correspondente à participação social detida pelo Estado não inferior a 30% do total dos montantes distribuíveis gerados no exercício”.

  

Quanto à injecção através de títulos de dívida, será concretizada através da subscrição de 400 milhões de euros em ISE, que são instrumentos de capital diretos, não garantidos, sem termo e subordinados e remunerados. Pela subscrição destes títulos o Estado vai ser remuneração de 9,5% ao ano.

 

Banif faz novo aumento de capital para reembolsar Estado

 

O plano de recapitalização do Banif, que mereceu o acordo do Governo e do Banco de Portugal, contempla também outro aumento de capital, que tem como objectivo reembolsar parte da ajuda estatal e será subscrito por investidores privados.

 

Este aumento de capital é de 450 milhões de euros e conta com o compromisso de subscrição no valor de 100 milhões de euros por parte dos dois maiores acionistas actuais do Banif: a Rentipar Financeira e a Auto-Industrial.

 

Esta operação deverá estar fechada até ao final do primeiro semestre, sendo que as condições não foram ainda definidas. O encaixe financeiro com esta operação “será utilizado para a amortização antecipada de instrumentos subordinados convertíveis”.

 

O Banif salienta que com este plano de recapitalização cumprirá as regras do regulador de deter um rácio de capital core tier one acima de 10%. Reforça que o apoio do Estado é transitório, durante um prazo máximo de cinco anos, envolvendo um “ambicioso processo de reestruturação do modelo de negócio e de reforço dos seus principais segmentos de actividade”. A administração liderada por Jorge Tomé afirma que irá conduzir o Banif a um “profundo processo transformacional”.

 

Já o Ministro das Finanças salienta que após este apoio público ao Banif, “um total de 5,6 mil milhões de euros terá sido injetado no sistema bancário privado português através da referida linha de recapitalização, com o objectivo de assegurar o acesso continuado das empresas e dos cidadãos ao crédito e, desse modo, apoiar a economia Portuguesa”.

 

Acrescenta ainda que “à semelhança do BCP e do BPI, para que o Estado participe na injeção de capital na instituição de crédito, o Banif aceitou sujeitar-se a condições que visam assegurar a proteção dos interesses dos contribuintes - os titulares últimos do dinheiro público utilizado nesta recapitalização - e apoiar a economia Portuguesa”.

 

 




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