Banca & Finanças Ex-diretor da CGD: Contas da Fundação Berardo dispensaram aval do empresário

Ex-diretor da CGD: Contas da Fundação Berardo dispensaram aval do empresário

José Pedro Cabral dos Santos, ex-diretor de grandes empresas, afirma que o aval de Joe Berardo só seria dispensado “se as contas da Fundação nos deixassem confortáveis”, o que acabou por acontecer.
Ex-diretor da CGD: Contas da Fundação Berardo dispensaram aval do empresário
Lusa
Rita Atalaia 24 de abril de 2019 às 20:06

José Pedro Cabral dos Santos, ex-diretor de grandes empresas da Caixa Geral de Depósitos (CGD), afirmou que o conselho de crédito do banco estatal decidiu dispensar o aval pessoal de Joe Berardo nos empréstimos concedidos ao empresário por causa das contas da Fundação Berardo.

 

"O conselho decidiu prescindir da exigência do aval em função das contas da Fundação Berardo", referiu José Pedro Cabral dos Santos aos deputados, na comissão parlamentar de inquérito à gestão da CGD, esta quarta-feira, 24 de abril.

 

Esta dispensa só aconteceria, explicou, "se as contas nos deixarem confortáveis e acho que isso ficou escrito no despacho". Em causa estava um empréstimo de 350 milhões de euros para a compra de ações do BCP, num crédito garantido pelos mesmos títulos do banco.

 

"Na operação da Fundação Berardo, há uma primeira vez que a operação vai a conselho [de crédito] e em que é feito um despacho no conselho", referiu o ex-diretor. Foi nesta ocasião que foi discutida a possibilidade de dispensar o aval de Berardo. Depois, num segundo conselho de crédito, "tendo em conta a análise que foi feita, decidimos não exigir o aval".

 

Foi em fevereiro que o Público avançou que o aval do empresário madeirense, de 37,8 milhões de euros, não foi encontrado.

 

Na auditoria da EY pode ler-se que não foi disponibilizada pela Caixa informação que "permita verificar" a existência do aval. Segundo a mesma, o banco público registou uma imparidade de 152 milhões relativa aos empréstimos ao empresário e os financiamentos avançaram com o parecer "condicionado" da Direção de Risco.

 

Como o Negócios noticiou, quer a Fundação quer a Metalgest tinham contas no vermelho em 2017, de 45 e 18 milhões de euros, respetivamente. Estão em curso alguns processos de execução da Caixa.




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