Banca & Finanças Ex-gestores do BES rejeitam irregularidades na venda de papel comercial do GES

Ex-gestores do BES rejeitam irregularidades na venda de papel comercial do GES

Jorge Martins e João Freixa têm uma "forte convicção" de que a venda de dívida do GES aos balcões do banco foi feita de forma "natural". E rejeitam ter conhecimento antecipado dos problemas no grupo.
Ex-gestores do BES rejeitam irregularidades na venda de papel comercial do GES
Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro 24 de fevereiro de 2015 às 16:26

Jorge Martins e João Freixa, antigos membros da comissão executiva do Banco Espírito Santo, defendem que a venda de papel comercial da Espírito Santo International e Rioforte, sociedades do Grupo Espírito Santo, nos balcões do banco foi feita sem irregularidades.

 

"Temos a forte convicção que, no papel comercial, as reclamações relacionadas com o processo de venda e atendimento não deverão ser acima da média", comentou Jorge Martins na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES esta terça-feira, 24 de Fevereiro. Os dois antigos elementos da gestão e da administração do banco foram ouvidos ao mesmo tempo.

 

A ESI e a Rioforte emitiram papel comercial (dívida de muito curto prazo) que foi vendido aos balcões do BES (e outras entidades financeiras do grupo BES e do grupo GES). Desde Junho de 2014, os clientes não têm recebido o dinheiro investido e têm criticado a forma de venda – muitos dizem que lhes diziam que aquela dívida do GES era sem risco ou entendida como depósito. Ficaram por liquidar, segundo Martins, 550 milhões de euros em papel comercial, nas mãos de um total de 2.508 clientes aos balcões, considerados não qualificados.  

 

Jorge Martins e João Freixa rejeitam essa ideia, embora admitindo que a convicção da ausência de irregularidades naquela venda "não significa que a actuação fosse perfeita e imune a erros pontuais". De qualquer modo, os dois gestores disseram aos deputados que a subscrição foi feita de "forma natural", sem que houvesse "objectivos ou incentivos de colocação" daqueles produtos financeiros.

 

Os dois antigos administradores dizem que só tiveram conhecimento de problemas nas contas da ESI, sociedade de topo do GES, em Dezembro de 2013, no mesmo dia em que a comissão executiva do BES decidiu suspender a comercialização. Apesar disso, manteve-se a venda de papel comercial da Rioforte, que era a accionista única da ESI. Não havia receio quando à sua capacidade financeira, justificou Freixa.

 

Tanto Jorge Martins como João Freixa quiseram sublinhar que além de desconheceram a ocultação de passivo que foi detectada na ESI, também admitiram "total desconhecimento" com o esquema de circularização de obrigações através da Eurofin que causou perdas ao BES, tal como as duas cartas-conforto passadas à Venezuela, que também contribuíram para os prejuízos históricos de 3.577 milhões de euros no primeiro semestre de 2014 – que conduziram à resolução do banco.




pub

Marketing Automation certified by E-GOI