Banca & Finanças Faria de Oliveira diz que não aprovou créditos na CGD com parecer de risco desfavorável

Faria de Oliveira diz que não aprovou créditos na CGD com parecer de risco desfavorável

O antigo presidente do banco público diz que não aprovou qualquer crédito que tenha merecido parecer desfavorável da direção de risco. Admite ter aprovado créditos com parecer condicionado.
Faria de Oliveira diz que não aprovou créditos na CGD com parecer de risco desfavorável
Miguel Baltazar
Rafaela Burd Relvas 03 de maio de 2019 às 17:08
Fernando Faria de Oliveira, antigo presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), afirma não terem sido aprovados, durante o seu mandato, créditos que mereceram parecer desfavorável da direção de risco. Houve vários, por outro lado, aprovados com parecer de risco condicionado - mas a razão para que esses tenham resultado em perdas de milhões de euros para o banco público foi da crise financeira mundial, defende.

"Tanto quanto me recordo, no meu mandato, operações relevantes com parecer negativo acho que não ocorreram", afirmou o atual presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), que está a ser ouvido, esta sexta-feira, 3 de maio, na segunda comissão parlamentar de inquérito à recapitalização da CGD e à gestão do banco.

E acrescenta: "Com parecer condicionado, sim. Mas o que é um parecer condicionado? Significa 'sim, mas'. Significa que devemos olhar para vários aspetos e tentar conformar estas condicionantes". Isso, defende, faz toda a diferença na hora de avaliar as práticas de gestão seguidas pela sua administração, que liderou o banco público num período marcado pela crise financeira mundial.

"O risco tem uma função essencial, insubstituível: tem a obrigação de identificar os vários fatores de risco que uma operação apresenta. E deve também procurar identificar o conjunto de riscos complementares que derivam da situação da economia. Vivemos, entre 2008 e 2013, um período particularmente difícil de fazer previsões. Os decisores das empresas são sempre muito influenciáveis pelas previsões das instituições responsáveis", recordou.

Seja como for, admite que, olhando para trás, voltaria a aprovar os créditos com parecer condicionado "se estivesse a defender apenas os interesses da instituição Caixa". Já "se defendesse os interesses da economia nacional, tenho dúvidas sobre se aprovaria".

O relatório da auditoria feita pela EY à gestão da Caixa entre 2000 e 2015 não permite concluir com certeza se foram aprovados créditos com parecer de risco desfavorável durante o mandato de Faria de Oliveira. O atual presidente da APB esteve à frente da Caixa entre janeiro de 2008 e julho de 2011, data em que o banco público passou a ser liderado por José de Matos. O relatório da auditoria mostra que, em 2011, foram aprovados dois créditos com parecer de risco desfavorável, mas não especifica em que mês foram concedidos estes créditos.

Por outro lado, mostra a auditoria, durante o mandato de Faria de Oliveira, foram aprovados pelo menos 34 créditos com parecer de risco condicionado (outros dois foram concedidos a partir de 2011) e três em que não existia qualquer parecer de risco.



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