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FMI: Cumprir rácios forçará banca europeia a "emagrecer" dois biliões de euros

FMI preocupado com desalavancagem exigida aos maiores bancos europeus, entre os quais estão quatro portugueses. Teme aperto excessivo no crédito, sobretudo em países periféricos como Portugal, com impactos graves sobre as PME. Pede ao BCE e Governos para fazerem mais – e também diferente.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 18 de Abril de 2012 às 14:00
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Assumindo uma recessão moderada na Europa, que no caso da Zona Euro significará uma queda do PIB de 0,3% ao longo deste ano, os 58 maiores bancos europeus, entre os quais estão quatro portugueses (CGD, BES, BPI e BCP), terão ainda de emagrecer os seus balanços em dois biliões de euros até ao fim de 2013, o equivalente a 7% do valor actual dos seus activos, de modo a cumprir os requisitos mais exigentes, designadamente os rácios de capital pedidos (“core tier one” de 9%) pela Autoridade Bancária Europeia (EBA).

As contas são do Fundo Monetário Internacional (FMI), que hoje divulgou parte do seu Relatório de Estabilidade Financeira. Traduzem um valor muito superior ao que havia sido avançado pela EBA, com as diferenças a serem fundamentalmente explicadas pelo facto de o modelo do Fundo ser menos estático, ao incorporar uma série de variáveis conjunturais que tenderão a afectar a situação financeira dos bancos, abranger mais bancos e igualmente um período mais longo, até ao fim de 2013.

Nos cálculos da EBA, os bancos europeus precisam de 114,7 mil milhões de euros para reforçar os rácios de capital até Junho de 2012. Para a banca portuguesa, as necessidades de novo capital foram cifradas, em Dezembro do ano passado, em 6,95 mil milhões de euros.

No relatório, o FMI mostra-se preocupado com desalavancagem exigida aos maiores bancos europeus. Assume que um quarto desta dose de emagrecimento (500 mil milhões de euros) seja cumprida com restrições ao crédito, o que colocará dificuldades acrescidas às PME dos países da periferia europeia que se encontram, em média, já muito endividadas e sem alternativas de financiamento.

Porque parte do problema da banca europeia decorre do endividamento excessivos de alguns países, o FMI considera que o prmeiro passo para impedir uma ruptura mais severa nos circuitos de crédito passa pela aplicação de políticas nacionais de consolidação orçamental nos mais endividados, como é o caso de Portugal, mas frisa ser "crucial" acomodar o impacto negativo deste ajustamento com outras políticas europeias orientadas para a promoção do crescimento.

O Fundo repete ainda os apelos feitos ontem (designadamente para a Alemanha) para que se permita aos fundos europeus (FEEF e MEE) recapitalizar bancos não exigindo necessariamente que o processo de faça através dos respectivos Governos, que se tornariam seus accionistas.

O FMI apela ainda à Europa que avance com alguma mutualização de dívida (eurobonds), pedindo ao BCE para que esteja, por seu turno, disposto a baixar as taxas de juro e renovar as operações de cedência de liquidez de mais longo prazo à banca.

(notícia actualizada às 14h20)
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