Banca & Finanças Fosun tem proposta válida. A diferença está no preço

Fosun tem proposta válida. A diferença está no preço

Ainda não estão terminadas as negociações entre Fosun e o Banco de Portugal. Há é posições definidas: o comprador não mexe no preço, o vendedor quer um aumento. O silêncio impera.
Fosun tem proposta válida. A diferença está no preço
Bruno Simão/Negócios

A Fosun não faz comentários à notícia que dá conta de que as negociações com o Banco de Portugal, para a compra do Novo Banco, não foram bem-sucedidas. O regulador liderado por Carlos Costa diz, por sua vez, que só "oportunamente" fala nos resultados do processo negocial. Assim, sem nada formalizado nem dado como concluído, a proposta oferecida pelos chineses mantém-se válida.

 

Havendo uma proposta válida em cima da mesa, o que está a separar o comprador e o vendedor (Fundo de Resolução da banca, cujo presidente é José Ramalho, administrador do Banco de Portugal)? À partida, o preço - aliás, o primeiro critério para a venda, conforme definido no caderno de encargos. 

 

O Banco de Portugal quer maximizar a venda do Novo Banco. Tendo recebido uma capitalização de 4,9 mil milhões de euros do Fundo de Resolução da banca, o Novo Banco tem 3,9 mil milhões que são dinheiro emprestado pelo Tesouro estatal (os restantes mil milhões provêm dos bancos). O diferencial do preço pago face ao dinheiro injectado terá de ser suportado pelo Fundo de Resolução da banca, embora não esteja ainda definido de que forma esse esforço será suportado pelas instituições financeiras.

 

O Banco de Portugal não quer um preço que revele um prejuízo demasiado elevado (até porque há eleições legislativas a 4 de Outubro). O número que tem sido noticiado como o oferecido pelos chineses é 1,5 mil milhões de euros. Mas a Fosun entrou nas negociações a dizer que, no preço, não mexia. Aliás, isso mesmo é dito por uma fonte à Reuters esta sexta-feira. 

 

Há outros factores a ter impacto nas negociações entre o segundo candidato seleccionado pelo Banco de Portugal e o regulador: os riscos contingentes, como o aumento de capital. O Novo Banco está a ser sujeito a um teste de stress por parte do Banco Central Europeu. Não há ainda uma data oficial para a divulgação dos resultados, mas estes devem ser conhecidos em Novembro.

 

Aqui, não é certo quem poderá assumir esses riscos, sendo que uma das contrapartidas oferecidas pelo Banco de Portugal para que haja uma subida do preço será a de o Fundo de Resolução assumir eventuais riscos contingentes.

 

Sem entendimentos, o prazo para as negociações mantém-se, ainda que não seja certo se continua a haver um diálogo activo entre as duas partes. Ou seja, não se sabe quando é que é suposto terminarem as conversações. 

 

A Fosun é o segundo candidato a entrar em negociações exclusivas com o Banco de Portugal para a compra do Novo Banco. A primeira foi a chinesa Anbang, com quem o regulador não chegou a um entendimento. Depois da Fosun, o terceiro candidato é o fundo norte-americano Apollo.

 

A imprensa desta sexta-feira dá conta que o adiamento da venda é um cenário que ganha forma. 




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