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FT: Novo Banco faz subir juros para os bancos da periferia da Zona Euro

Os bancos da periferia da Zona Euro estão a sofrer com a decisão portuguesa de seleccionar credores senior para recapitalizar a instituição, escreve o Financial Times.

Carlos Costa: Foi reconduzido como governador do Banco de Portugal após a polémica resolução do BES. O caso Banif fez subir a sua contestação à esquerda.
Negócios 18 de Janeiro de 2016 às 09:39
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Uma obrigação do banco Monte Paschi em Itália que vence em 2019 está a perder 3% desde 29 de Dezembro. Títulos do Banco Popolare estão a recuar 2%. E as obrigações senior do Novo Banco que foram poupadas pelo regulador português continuam a transaccionar com perdas de 7% face ao valor de final de ano. Consequências dos investidores não terem ainda percebido as implicações da decisão tomada pelo Banco de Portugal no resto da Europa e por isso estão a castigar os títulos da banca da periferia.

A dois dias do final do ano o banco central português liderado por Carlos Costa (na foto) moveu 5 obrigações de um total de 52 obrigações senior para o BES ("banco-mau"), conseguindo assim melhorar o rácio de capital do Novo Banco que pretende vender em 2016.

A decisão apanhou os investidores de surpresa, em particular por determinar perdas diferentes para credores com dívida senior. Vários investidores, incluindo grandes gestoras de fundos, já anunciaram acções em tribunal para contestar. Segundo o Financial Times a decisão está a gerar insegurança junto dos investidores, que não sabem o que esperar noutros países. As economias mais penalizadas são as que têm bancos em maiores dificuldades, por exemplo com níveis de incumprimento mais elevado. A Itália é um dos casos mais referidos.


"Não se sabe o que esperar em termos de actuação dos bancos centrais porque cada país parece ter um sistema de regras distinto", afirmou ao Financial Times Paul Hatfield, o principal responsável pelos investimentos na Alcentra, que justifica assim que os seus fundos estejam a investir pouco nos bancos da periferia: "Não penso que sejamos compensados adequadamente pelo risco que estamos a correr", remata.


"Há uma importante leitura a fazer sobre a natureza arbitrária e imprevisível da resolução de bancos na Europa" acrescenta  Philippe Bodereau, responsável máximo de investidores da Pimco, uma das gestoras de fundos visadas pela decisão do Banco de Portugal. "Em Itália, em particular, há vários bancos a procurar soluções privadas para se recapitalizarem e penso que esses esforços podem ser minados pela incerteza gerada pelo precedente do Novo Banco", remata.


O Financial Times diz que o mau momento nos mercados resulta também em parte de um maior pessimismo que sente no arrancar do ano, mas nota que os investidores destacam a contaminação que chega de Lisboa. O índice de Bloomberg de títulos de dívida empresarial de alto risco está a recuar 4%.


Na sexta-feira a agência de rating DBRS avisou para riscos acrescidos para a normalização do acesso aos mercados dos bancos portugueses devido à decisão do Novo Banco. As instituições nacionais contactadas pelo Negócios desvalorizaram, até porque na sua maioria não planeiam emissões no curto prazo.

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