Banca & Finanças Funcionários da Açoreana "rejeitam" propostas de redução de trabalhadores

Funcionários da Açoreana "rejeitam" propostas de redução de trabalhadores

A comissão de trabalhadores reuniu-se com representantes do PCP e do BE sobre a situação da seguradora e vai também falar com a direita. Tal como os sindicatos, não quer reduções de pessoal na venda da Açoreana.
Funcionários da Açoreana "rejeitam" propostas de redução de trabalhadores
Rafael Marchante/Reuters
Diogo Cavaleiro 26 de janeiro de 2016 às 14:36

Os trabalhadores da Açoreana, seguradora que tem 48% do seu capital na esfera do Estado, reafirmaram que não querem uma venda com despedimentos, numa nota publicada na semana em que a norte-americana Apollo está em negociações exclusivas para adquirir a companhia. 

 

"Este processo, obscuro e em contra-relógio assume como válidas propostas que excluem os trabalhadores, empurrando-os para o desemprego", indica uma mensagem da comissão de trabalhadores da seguradora, detida em 48% pela Oitante (veículo que herdou os activos do Banif que o Santander Totta não quis) e em 52% pela família Roque através da Soil. O Negócios já escreveu que a venda está a ser feita em contra-relógio devido às necessidades de capital que ascendem a 50 milhões de euros.

 

Por não terem garantias de emprego nalgumas das três ofertas finais, "os trabalhadores da Açoreana rejeitam estas propostas". Além da Apollo, que detém já a Tranquilidade no mercado português e que está neste momento em negociações exclusivas, estavam na corrida a portuguesa Caravela e a alemã Allianz. Aliás, em termos de posição de mercado, a Apollo tenta passar a seguradora alemã com esta aquisição da Açoreana.

 

Esta posição da comissão de trabalhadores, rejeitando propostas que visem cortar alguns dos 700 postos de trabalho na companhia, tem vindo igualmente a ser defendida pelos vários sindicatos do sector segurador.

 

Na mensagem aos trabalhadores, a comissão diz que já reuniu com alguns grupos parlamentares, "reivindicando a sua intervenção no negócio, exigindo a continuidade dos postos de trabalho". Segundo disse a dirigente Ana Rita Páscoa ao Negócios, houve encontros com o PCP e o Bloco de Esquerda, sendo que os dois grupos parlamentares sublinharam que essa preocupação estava por trás da intenção do Governo de integrar o grupo Banif (incluindo a posição na companhia) na Caixa Geral de Depósitos, uma ideia rejeitada pela Comissão Europeia.

Entretanto, esta semana haverá uma reunião da comissão com o CDS-PP, sendo que o PSD já acusou a recepção do pedido de reunião. "Curiosamente, a única resposta que não tivemos foi do PS", lamenta a dirigente.

 

A venda da Açoreana já estava em curso há alguns meses, mesmo antes da intervenção do Estado no Banif. A 20 de Dezembro, o Banco de Portugal optou por dividir a instituição em três entidades: a actividade tradicional foi vendida ao Santander Totta; os activos que este não quis foram transferidos para um veículo designado de Oitante; as posições accionistas e de dívida subordinada ficaram no Banif, esvaziado dos seus activos. A posição de 48% da Açoreana ficou na Oitante, que pertence ao Fundo de Resolução, mas saiu penalizada por perder a posição accionista que tinha no banco. 




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