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Gestão da Caixa no BPN alvo de queixas-crime no Ministério Público

A Parvalorem, sociedade que ficou com activos tóxicos do banco, admitiu ao “Diário de Notícias” que encontrou indícios da prática de crime na gestão da CGD no BPN, depois da nacionalização. Segundo o jornal, foram cedidos 526 milhões de euros quando as garantias só ascendiam a 81 milhões. O caso está no Ministério Público.

Bruno Simão/Negócios
Negócios 01 de Novembro de 2013 às 10:21
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Em Novembro de 2008, o BPN foi nacionalizado. A Caixa Geral de Depósitos assumiu a administração da instituição financeira. Cinco anos depois desta nacionalização inesperada, a gestão do banco estatal no BPN está a ser investigada pelo Ministério Público. Em causa estará a concessão de créditos sem garantias adequadas.

 

Segundo conta o “Diário de Notícias” nesta sexta-feira, nos seis meses que se seguiram à nacionalização, já com a Caixa no leme do BPN, foram concedidos 526 milhões de euros a perto de 80 empresas (sem contar as empresas do universo da Sociedade Lusa de Negócios – SLN, a antiga detentora do banco). O problema é que a esses 526 milhões de euros de crédito correspondiam, apenas, 81 milhões de euros em garantias. Estas mesmas empresas tinham créditos de 198 milhões de euros já em 2008. Ou seja, houve um reforço de 328 milhões no crédito concedido, sem o acompanhamento proporcional das garantias.

 

O jornal teve acesso a estes dados e questionou a política de concessão de crédito à Parvalorem, a sociedade estatal que ficou com os activos tóxicos do BPN.

 

“O que temos constatado na análise dos processos é que alguns problemas relativos à cobrança dos referidos créditos têm efectivamente origem no período anterior à nacionalização, mas muitos deles também no período posterior à nacionalização do BPN, nomeadamente com a cristalização no tempo da resolução de créditos, e na existência de novos créditos de valor muito considerável a entidades sem quaisquer garantias”, indicou a Parvalorem ao “Diário de Notícias”.

 

A resposta foi a de que já tinha sido apresentadas queixas-crime sobre o tema. “Naturalmente que todos os indícios de prática de crime que forem encontrados – e já foram – continuarão a ser comunicados ao Ministério Público para competente averiguação”, disse a sociedade liderada por Francisco Nogueira Leite.

 

Francisco Bandeira foi o nome da Caixa de Geral de Depósitos escolhido para administrar o BPN. Ao “Diário de Notícias”, mostrou-se surpreendido pela acusação e disse que o conselho de crédito da instituição era composto por pessoas “com décadas de experiência bancária”.

 

No início de Outubro, o “Diário Económico” já tinha adiantado que a gestão nomeada pelo Estado para o BPN tinha, em 2010, aprovado um financiamento de 135 milhões de euros à SLN Valor (do grupo da Sociedade Lusa de Negócios) em que a contrapartida oferecida eram acções de duas sociedades com uma débil situação financeira. A Parvalorem, também aqui, reconheceu que “poderiam ter sido obtidas outras garantias reais e de compromissos de execução”.

 

Estes serão mais processos em torno deste dossiê que, como escreve hoje o Negócios, já se tornou no processo casa Pia da banca.

 

Entretanto, cinco anos depois da nacionalização, o BPN já tem um novo dono: o BIC Português. A instituição liderada por Mira Amaral está a gerar “resultados muito positivos” para o seu novo detentor. 

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