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Goldman Sachs está em "diálogo activo" com Banco de Portugal devido a empréstimo ao BES

O administrador financeiro do banco norte-americano voltou a dizer-se surpreendido com a decisão do Banco de Portugal de transferir a responsabilidade com a Oak Finance do Novo Banco para o BES "mau".

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 16 de Janeiro de 2015 às 17:45
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O Goldman Sachs mantém conversações com o Banco de Portugal devido à decisão tomada pelo regulador do sector financeiro em transferir uma responsabilidade de 548,3 milhões de euros do Novo Banco para o "banco mau" BES.

 

"Estamos em diálogo activo com o Banco de Portugal. Obviamente, é uma situação muito variável", disse Harvey Schwartz, o administrador do Goldman Sachs com o pelouro financeiro, em resposta na conferência telefónica com analistas.

 

Mais uma vez – e tal como já tinha dito – o banco norte-americano admitiu ter ficado "muito surpreendido pela inesperada inversão de opinião do Banco de Portugal". O Goldman havia já defendido que, quando o Novo Banco foi criado, "obteve a confirmação por parte do Banco de Portugal de que toda a dívida sénior do Banco Espírito Santo, como as obrigações Oak Finance, seriam transferidas para o Novo Banco. A 11 de Agosto de 2014, um alto representante do Banco de Portugal explicitamente confirmou por escrito à Goldman Sachs a transferência dessas obrigações sénior  para o Novo Banco", disse o banco num comunicado emitido a 26 de Dezembro. O Goldman Sachs prometeu recorrer a meios legais para defender a sua posição.

 

A decisão do Banco de Portugal foi divulgada a 23 de Dezembro: as responsabilidades com a Oak Finance Luxembourg passaram para o banco mau, libertando o Novo Banco de responsabilidades na ordem dos 548,3 milhões de euros. O Goldman Sachs terá emprestado em Julho ao BES, através deste veículo financeiro, 835 milhões de dólares (681 milhões de euros). No mesmo dia em que o empréstimo foi pedido pelo banco português, o Oak Finance emitiu 785 milhões de dólares em dívida - que o banco norte-americano emitiu, esperando vendê-la posteriormente a investidores.

 

O veículo tinha como missão financiar a construção de uma refinaria chinesa na Venezuela, nesse mês de Julho, da petrolífera estatal PDVSA, uma das maiores credoras do ramo não financeiro do GES. O BES assegurou o compromisso de reembolsar a dívida de sociedades venezuelanas através de cartas de conforto que causaram perdas de 267 milhões de euros.

 

Sobre estes pormenores, Schwartz afirmou que é "um assunto de um cliente e não sobre o Goldman Sachs". De qualquer modo, e ainda que tenha defendido que o impacto do BES nas contas tenha sido "imaterial", os lucros do banco caíram 7,1% para 2,1 mil milhões de dólares (1,85 mil milhões de euros) no último trimestre de 2014.

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