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Governador do Banco de Portugal recusa ter sido “capataz de confiança” no BCP

Governador do Banco de Portugal sentiu-se ofendido quando a procuradora Teresa Almeida sugeriu que Carlos Costa tinha sido um “um funcionário de balcão que confere” quando trabalhava no BCP e renovou crédito às “offshores” do banco.

Maria João Gago mjgago@negocios.pt 13 de Março de 2013 às 11:33
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Carlos Costa, quando era funcionário do BCP, renovou créditos às “offshores” do banco sem saber que estes veículos não tinham beneficiários últimos. “Não tinha conhecimento nem tinha que ter” afirmou o governador do Banco de Portugal, que está a testemunhar em tribunal, no processo-crime movido contra ex-administradores do Banco Comercial Português.

 

Carlos Costa trabalhou no BCP entre Janeiro de 2000 e Março de 2004, na qualidade de director da área internacional, tendo ainda acumulado responsabilidades na unidade de custódia do banco. O responsável justificou a decisão de renovação dos créditos com o facto de o colateral ser uma carteira de títulos, com gestão discricionária.

 

“Isto é exactamente o contrário de investir num único título. É saltar de um título para o outro, para maximizar o valor do colateral” sublinhou, garantindo desconhecer que as carteiras eram constituídas quase só por acções do BCP.

 

“Não me passou pela cabeça perguntar quais os títulos em que o gestor da carteira investia. A sua missão era optimizar o valor da carteira” adiantou Carlos Costa.

 

“Não sou um capataz de confiança” respondeu Carlos Costa à procuradora Teresa Almeida, quando esta lhe disse que tinha actuado como “um funcionário de balcão que confere”. O governador do Banco de Portugal reagiu com veemência: “isso é quase ofensivo. Não sou capataz de confiança. Nunca fui nem é hoje que aceito que o diga”.

 

A procuradora está a questionar Carlos Costa sobre o facto de não ter avaliado a carteira de títulos que servia de colateral aos créditos concedidos às “offshores”, que renovou quando era director do BCP.

 

“Tenho é de avaliar se existe possibilidade de recuperação de colateral” justificou o governador, para quem a existência de um mandato de gestão discricionária pressupunha. “Isto não é conferir” repetiu.

 

Carlos Costa está a ser ouvido como testemunha no julgamento em que o Ministério Público acusa dois antigos presidentes do BCP, Jardim Gonçalves e Filipe Pinhal, e dois ex-administradores do banco, Christopher de Beck e António Rodrigues, dos crimes de manipulação de mercado e falsificação de documentos.

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