Banca & Finanças Governo reitera que "não há impacto directo para o contribuinte" com a venda do Novo Banco

Governo reitera que "não há impacto directo para o contribuinte" com a venda do Novo Banco

O ministro Marques Guedes garante que a venda do Novo Banco não tem "nenhum impacto directo para o contribuinte português" e assegura que a contabilização, ou não, do empréstimo ao Fundo de Resolução "é uma medida que ainda está para ser decidida pelo Eurostat".
Governo reitera que "não há impacto directo para o contribuinte" com a venda do Novo Banco
David Santiago 03 de setembro de 2015 às 14:43

No final do Conselho de Ministros realizado esta quinta-feira, 3 de Setembro, Marques Guedes, ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, reiterou "não há nenhum impacto directo para o contribuinte português" decorrente do processo em curso relacionado com a venda do Novo Banco.

 

Marques Guedes também insistiu na ideia de que "a questão da contabilização, ou não, do empréstimo do Fundo de Resolução ao Novo Banco é uma medida que ainda está para ser decidida pelo Eurostat", mas afiançou que "não terá qualquer impacto no cumprimento das regras e metas de défice a que Portugal está obrigado". Trata-se de um mero "registo contabilístico", prosseguiu o ministro da Presidência antes de realçar que "o Estado vai receber" o dinheiro emprestado ao Fundo de Resolução para que este procedesse à recapitalização do banco que ficou com os activos bons do antigo BES.

 

"O Estado português não nacionalizou nem entrou directamente no capital do Novo Banco", explicou Marques Guedes que recorda que se trata de "um empréstimo que será ressarcido com juros".

 

O Banco de Portugal escolheu, esta semana, a Fosun para uma nova ronda negocial tendo em vista a venda do Novo Banco, isto depois de as negociações com os também chineses da Angbang terem fracassado dada a irredutibilidade da seguradora em subir a oferta pelo banco que rondava os 3,5 mil milhões de euros. No início de Agosto de 2014, o Fundo de Resolução concedeu um empréstimo de 4,9 mil milhões de euros para recapitalização da instituição financeira, dos quais 3,9 mil milhões foram financiados pelo Estado português.

 

No entanto, o arrastar do processo de venda do Novo Banco, definido para estar concluído no prazo de um ano, faz com que se adense a possibilidade de incorporação daqueles 4,9 mil milhões de euros no saldo orçamental do ano passado, o que poderia agravar o défice de 2014 para um valor superior a 7% do produto interno bruto (PIB).

 

Questionado sobre se o Governo está desesperado para concluir a venda do Novo Banco, Marques Guedes afirmou "não há nenhum desespero nem nenhuma orientação para que o banco seja vendido a todo o custo, como o prova a decisão do Banco de Portugal" de encetar negociações com a Fosun. O ministro garante ainda que o Executivo não tem qualquer interferência no processo, mas reconhece que "tem sido informado" sobre o andamento das conversações. Mas, ainda assim, Marques Guedes admite que "o Governo tem a noção de que quanto mais depressa for resolvido este processo, mais depressa se entra numa situação de normalidade".

 

A terminar, o governante não deixou passar a oportunidade para criticar as declarações de dirigentes socialistas que têm apontado o dedo ao Governo pela forma como está a ser gerido o processo de venda do Novo Banco. António Costa, secretário-geral socialista, criticou Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, e o Governo pela forma como estão a lidar com o processo relacionado com o Novo Banco. A "má-fé do PS só pode ser explicada por peso na consciência pela forma como lidou com o BPN", acusou Marques Guedes.




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