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Grandes bancos escapam a perdas directas com dívida do Novo Banco que passa para o BES

Caixa Geral, BCP, BPI, Totta e Montepio não têm em carteira as obrigações seniores que foram transmitidas para o BES "mau", pelo que não enfrentam perdas directas com a decisão do Banco de Portugal.

Bruno Simão
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A perda imposta a investidores institucionais com a retirada de dívida do Novo Banco para o BES "mau" não afecta, directamente, os grandes bancos portugueses. Segundo confirmou o Negócios, os grandes bancos não detêm as obrigações visadas pela decisão do Banco de Portugal.

 

Caixa Geral de Depósitos, Banco Comercial Português, Banco BPI, Santander Totta (que agora é o dono do Banif) e ainda a Caixa Económica Montepio Geral negam ter qualquer exposição às cinco emissões que, de forma a favorecer os rácios de solidez do Novo Banco, deixaram esta instituição e foram reencaminhas para o BES "mau".

 

"A Caixa não tem, na sua carteira, este tipo de obrigações", é a resposta oficial do banco do Estado em resposta ao Negócios. "Não temos qualquer exposição a estas obrigações", também aponta o Santander Totta. O mesmo é dito pelo BPI. "Zero" é a exposição do Montepio aos títulos que agora estão no BES, onde a sua recuperação será difícil tendo em conta a situação patrimonial desequilibrada daquele veículo.

 

O Banco Comercial Português não faz comentários oficiais sobre o tema mas o Negócios conseguiu apurar que também na instituição liderada por Nuno Amado não foi detectada exposição à dívida sénior transmitida para o BES.


O Banco de Portugal transferiu 1.985 milhões de euros em obrigações seniores do Novo Banco (títulos de dívida que tinham escapado a perdas na altura da resolução, ao contrário das obrigações subordinadas e das acções) para o BES. Sem esta dívida a seu cargo, o banco consegue registar um impacto positivo de 1.985 milhões de euros, reforçando o rácio de melhor capital para 13%. Uma decisão que afecta quem detêm estes títulos: o Novo Banco já não assegura o seu reembolso e a devolução passa a estar a cargo do banco "mau", que não tem fundos que consigam pagar a totalidade destes activos. 

 

Um dos argumentos do Banco de Portugal para defender a medida é a de que ela só afecta investidores institucionais, o que engloba, além de bancos, seguradoras e fundos de investimento. "O Banco de Portugal determinou retransmitir para o BES a responsabilidade pelas obrigações não subordinadas por este emitidas e que foram destinadas a investidores institucionais". Contudo, enquanto os grandes bancos evitam perdas nestes títulos, não foi ainda possível apurar se o mesmo acontece com companhias da área de seguros e fundos de investimento. 

 

O BES vai, agora, caminhar para a sua liquidação, distribuindo os poucos activos que lhe restam pela hierarquia de credores.

Banca já tem outros custos

De qualquer forma, mesmo sem sofrerem perdas directas com esta transferência, a banca portuguesa é quem contribui para o Fundo de Resolução, que é neste momento o accionista do Novo Banco. O Fundo de Resolução emprestou 4.900 milhões de euros ao Novo Banco (3.900 milhões dos quais emprestados pelo Estado) aquando da criação do banco, a 3 de Agosto de 2014, dinheiro que terá de ser reembolsado pelos bancos - ainda que o prazo para que tal seja feito ainda uma incógnita. 

Além disso, o Fundo de Resolução da banca é a entidade que terá de enfrentar os processos judiciais relativos à resolução do Banco Espírito Santo, como quis clarificar o Banco de Portugal. 

 



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