Banca & Finanças Guo Guangchang diz que futuro da Fosun será mais centrado na China

Guo Guangchang diz que futuro da Fosun será mais centrado na China

Guo Guangchang, que tinha sido detido para investigações judiciais, apareceu em público esta segunda-feira para participar na reunião anual da empresa. Ainda assim as acções estão em forte queda.
Guo Guangchang diz que futuro da Fosun será mais centrado na China
Negócios com Lusa 14 de dezembro de 2015 às 07:54

O presidente da Fosun, detentora de várias empresas em Portugal e que esteve nos últimos dias incontactável, disse esta segunda-feira, em Xangai, que o futuro do grupo chinês vai passar por uma maior aposta na China.

 

"Apesar dos investimentos em todo o mundo, o crescimento do Fosun está enraizado na China", afirmou Guo Guangchang, que participou na reunião anual da empresa, citado pelo jornal oficial China Daily.

 

"A estrutura futura do grupo deve ser capaz de demonstrar as vantagens em estar enraizada na China", frisou.

 

O milionário, que esteve nos últimos dias "a cooperar com as autoridades chinesas numa investigação judicial", segundo um comunicado da empresa, disse ainda que o grupo Fosun se quer converter numa estrutura mundial mais organizada.

 

De acordo com a Bloomberg, que cita fonte conhecedora do processo, Guo Guangchang regressou esta segunda-feira ao trabalho (na foto ao lado, publicada na rede social Weibo, Guo surge na reunião anual da empresa que decorreu hoje).

 

O grupo chinês, dono da Fidelidade e da Luz Saúde, confirmou esta sexta-feira que o seu presidente e co-fundador foi detido para "investigações judiciais". "A empresa tem informação que o sr. Guo está a colaborar com certas investigações judiciais levadas a cabo pelas autoridades" da República Popular da China, revela a Fosun, adiantando que o presidente "pode continuar a participar nas decisões mais importantes da companhia através dos meios apropriados".

A empresa esclareceu este domingo que Guo está a colaborar em nome pessoal. "Até agora, a investigação foca-se em Guo Guangchang", afirmou Wang Qunbin, não dando qualquer detalhe sobre a investigação. "Percebam que é um tema sensível e que o nosso conhecimento sobre a investigação é limitado", adiantou.

 

De acordo com os dados compilados pela agência Bloomberg até Julho, o consórcio privado chinês, dono do Club Mediterranee, anunciou 10 aquisições num total de 6,4 mil milhões de dólares (5,6 mil milhões de euros), grande parte fora da China.

 

Em Portugal, além da Fidelidade e da Espírito Santo Saúde, reconvertida em Luz Saúde, o Fosun detém uma participação de 5,3% na REN (Redes Energéticas Nacionais) e foi um dos candidatos à compra do Novo Banco, até as negociações terem sido suspensas pelo Banco de Portugal.

 

Guo foi, alegadamente, detido na quinta-feira à chegada a Xangai num voo proveniente de Hong Kong, segundo escreveu a agência oficial chinesa Xinhua, que não confirmou se o empresário está a ser investigado ou a prestar assistência numa investigação.

 

Acções afundam

 

As acções da empresa, que estiveram suspensas na sexta-feira na sequência do desaparecimento de Guo, seguem na bolsa de Hong Kong a recuar 9,15% para 12,12 dólares de Hong Kong. Atingiram uma desvalorização máxima de 13,49% para 11,54 dólares de Hong Kong, o que representa a maior queda em cinco meses.

 

As obrigações da Fosun estão em forte alta, com os títulos que têm maturidade em 2020 a subirem 6,3% para 98,7, recuperando parte da queda recorde registada na véspera.

 

"As preocupações dos investidores não vão ser totalmente dissipadas" até a empresa prestar mais esclarecimentos, afirmou um analista à Bloomberg, que ainda assim classificou de "bom sinal" o facto de Guo ter sido visto em público.

 

Com uma fortuna pessoal de 6,61 mil milhões de euros, Guo Guangchang é o 11.º homem mais rico da China, segundo dados publicados pela revista norte-americana Forbes.




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