Banca & Finanças Inquérito ao BES admite que venda do Novo Banco "acarreta riscos"

Inquérito ao BES admite que venda do Novo Banco "acarreta riscos"

O relatório final da comissão de inquérito assinala que a estabilidade financeira pode sofrer com uma venda do Novo Banco abaixo dos 4,9 mil milhões de euros.  
Inquérito ao BES admite que venda do Novo Banco "acarreta riscos"
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 29 de abril de 2015 às 12:34

A venda do Novo Banco, herdeiro dos activos e passivos considerados saudáveis do Banco Espírito Santo, tem riscos. A afirmação consta da versão final do relatório da comissão de inquérito à gestão do BES e do GES.

 

"O processo de venda do Novo Banco acarreta riscos que, embora não quantificáveis neste momento, importa identificar", assinala o relatório final da comissão, apresentado esta quarta-feira no Parlamento, que recebeu contributos dos vários partidos.

 

Esses riscos dizem respeito, nomeadamente, ao "eventual impacto sobre a estabilidade financeira caso a venda venha a ocorrer abaixo do valor injectado pelo Fundo de Resolução".

 

Neste caso, o relatório diz que, a acontecer, a situação "terá igualmente impactos sobre os balanços dos restantes bancos do sistema financeiro – incluindo a Caixa Geral de Depósitos –, que podem ou não vir a afectar a capacidade destes para reembolsar prontamente o empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução".

 

Daí que o documento também diga que uma "parte significativa em termos de avaliação e consequências" da resolução aplicada ao Banco Espírito Santo só possa ser retirada quando se poder comprar o valor de venda do Novo Banco e os 4,9 mil milhões de euros injectados no fundo de resolução.

 

Sem preocupação com litigância

Sobre os processos judiciais que estão em curso e que contestam a decisão, o documento escrito pelo social-democrata não levanta grandes preocupações. 

 

"Em toda a litigância existente o Novo Banco surge apenas na qualidade de parte contra-interessada, sendo possível que sobre esta entidade não venham a incidir quaisquer responsabilidades decorrentes da actual ou eventual futura litigância. A litigância existente incide nomeadamente sobre o Estado Português, Banco de Portugal, CMVM, Direcção-Geral da Concorrência, BES e seus responsáveis, ou determinados gestores de conta, BESI e KPMG", assinala a nota.




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