Banca & Finanças Irlanda leva a tribunal executivos do Anglo Irish Bank. Grécia prende presidente do Hellenic Postbank

Irlanda leva a tribunal executivos do Anglo Irish Bank. Grécia prende presidente do Hellenic Postbank

Começou esta quarta-feira em Dublin o julgamento de três antigos executivos do Anglo Irish Bank acusados de, ilegalmente, “levarem” os seus clientes a comprar acções do banco poucos meses antes da nacionalização. O antigo "chairman" do Hellenic Postbank, acusado de fraude e lavagem de dinheiro, foi extraditado da Turquia e preso pela polícia à sua chegada a Atenas.
Irlanda leva a tribunal executivos do Anglo Irish Bank. Grécia prende presidente do Hellenic Postbank
Bloomberg

O Tribunal Criminal de Dublin começou esta quarta-feira, 5 de Fevereiro, a julgar três antigos executivos de topo do Anglo Irish Bank. O julgamento de Sean FitzPatrick (antigo presidente não executivo, na foto), Pat Whelan (antigo director financeiro) e William McAteer (director de controlo interno) é considerado "um dos mais complexos da história europeia do crime financeiro".  

 

As acusações estão relacionadas com a prestação ilegal de apoio financeiro, a 16 pessoas, com o objectivo de estas adquirirem acções do Anglo Irish Bank durante o ano de 2008 (o banco foi nacionalizado a 20 de Janeiro de 2009).

 

Segundo o "Internacional Business Times", o apoio financeiro foi concedido, inicialmente, a um grupo restrito de pessoas, conhecido por "Maple 10", para que estas comprassem acções do banco. As 16 pessoas mencionadas no processo incluem, não só as que faziam parte do "Maple 10", mas também seis membros da família de Sean Quinn, que era, antes da crise, o homem mais rico da Irlanda. Quinn, com o eclodir da crise financeira viu-se na necessidade de declarar falência, depois de ficar na posse de dívidas de largos milhões de euros à banca. Agora vai ser uma das testemunhas chave do processo.

 

Na última terça-feira, o jornal britânico "The Guardian" escreveu que o tribunal está preparado para ouvir 800 testemunhas e analisar cerca de 24 milhões de documentos, o que dificultará uma resolução mais célere do processo. O "The Irish Times" adverte que a complexidade deste processo poderá fazer com que sejam necessários entre "três a seis meses" até que seja pronunciada uma decisão final, o que faria deste julgamento "o mais demorado da história irlandesa".

 

Nesta primeira sessão do julgamento, o Ministério Público irlandês acusou "os executivos do Anglo Irish Bank de estarem tão desesperados por obter financiamento da família mais rica da Irlanda – após a queda das acções no Verão de 2008 – que seguiram a família" durante as suas férias no sul de França e de Portugal. Na altura, já Sean Quinn e as suas empresas deviam ao banco 2 mil milhões de euros.   

 

O representante do Ministério Público irlandês, Paul O'Higgins, afirmou, segundo o "The Guardian", que a forma como o banco estava a tentar emprestar dinheiro à família Quinn e ao grupo "Maple 10" era "absolutamente ilegal". Eram os primeiros sinais de desespero.

 

Grécia: Antigo líder do Hellenic Postbank acusado de fraude e lavagem de dinheiro

 

Esta quarta-feira, também, foi importante para a expiação dos fantasmas que levaram ao eclodir e agudizar da crise financeira na Grécia. Ainda durante a manhã, as instalações da polícia, em Atenas, receberam Angelos Filippidis, ex-líder do Hellenic Postbank, depois de este ter sido extraditado no seguimento da detenção, em solo turco, ao abrigo de um mandato de captura internacional.

 

Filippidis enfrenta acusações de fraude, relacionadas com a concessão de empréstimos e lavagem de dinheiro. O jornal grego "Capital" escreve que, relacionado com o caso de Filippidis, mais de 20 pessoas enfrentam, também, acusações decorrentes das perdas de mais de 400 milhões de euros, quando o banco ainda era liderado por Angelos Filippidis.

 

O "Capital" acrescenta que as autoridades gregas começam, agora, a desenrolar o novelo das práticas de corrupção que se haviam tornado habituais antes da crise de 2010.

 

Itália: Lavagem de dinheiro atinge valor recorde

 

Porém o fenómeno relacionado com a lavagem de dinheiro não se cinge à Grécia e, por exemplo, em Itália, tem-se mesmo agravado desde que os primeiros efeitos da crise financeira se fizeram sentir no ano de 2007.

 

O director da Unidade de Informação do Banco de Itália, Claudio Clemente, citado pelo diário "Corriere della Sera", nota que Itália apresenta valores, ligados à lavagem de dinheiro, que colocam o país entre os Estados "com níveis mais elevados da Europa".

 

Entre 2007 e 2013 os mecanismos utilizados para lavagem de dinheiro atingiram um valor que quintuplicou nestes sete anos, tendo atingido, no último ano, um valor recorde na ordem dos 85 milhões de euros.

 
Caja Madrid, o banco do poder

Em Espanha o caso Caja Madrid, banco também conhecido como a “sucursal do Partido Popular (PP)”, escreve o “El País”, apresenta muitas semelhanças com o caso do português BPN.

 

Ambos incentivaram situações de favorecimento pessoal, através da concessão de crédito em situações vantajosas para pessoas próximas do

conselho de administração ou, no caso espanhol, do PP.

 

O partido do actual primeiro-ministro, Mariano Rajoy, mantinha grande influência junto dos decisores do Caja Madrid, ao ponto de “impor decisões estratégicas”, conta o “El País”. A posição privilegiada e capacidade de influência do PP junto do banco liderado, até 2010, por Miguel Blesa (na foto), colocado na presidência desta instituição financeira pelo antigo primeiro-ministro e ex-líder do PP, José Maria Aznar, estão patentes nas diversas mensagens de correio electrónico, enviadas e recebidas por Blesa, no período final do seu mandato à frente dos destinos do Caja Madrid, entre 2007 e 2009.

 

Note-se que entretanto foi decretada a prisão de Blesa, com base na gestão dos processos relacionados com a compra de um banco norte-americano, o City National Bank of Florida, e de um empréstimo concedido ao dirigente patronal Gerardo Díaz Ferrán.

 

Blesa deixou-se persuadir por Aznar e pelo filho mais velho deste a adquirir uma colecção da obra do artista Gerardo Rueda, amigo de Aznar que morrera em 1996, e que teria custado cerca de 100 milhões de euros ao Caja Madrid, numa altura em que esta instituição já vivia uma grave crise financeira.




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