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Isabel dos Santos pede auditor independente para fixar preço na OPA do CaixaBank

O representante da empresária angolana no BPI faz uma declaração de voto no relatório do BPI sobre a OPA do CaixaBank. Mário Leite da Silva rejeita o preço dos catalães e defende que não tem proximidade cultural com projectos em África e Moçambique.

Miguel Baltazar
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Isabel dos Santos quer que um auditor independente defina o preço que o CaixaBank tem a pagar na OPA ao BPI. O representante da empresária angolana, segunda maior accionista do banco, diz que o preço de 1,113 euros oferecido pela instituição catalã "não é justo".

 

"É meu entendimento que a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) deverá proceder à nomeação de um auditor independente, a expensas do CaixaBank, para proceder à fixação da contrapartida mínima a oferecer na OPA das acções representativas do capital social do BPI preliminarmente anunciada", defende Mário Leite da Silva (na foto).

 

A Santoro, que tem 18,6% do BPI, já enviou um requerimento à autoridade presidida por Carlos Tavares com a solicitação para a nomeação do referido auditor independente, sublinha o representante de Isabel dos Santos esta terça-feira, 17 de Maio.

 

A indicação do representante da empresária angolana está inscrita no relatório da administração do BPI à oferta pública de aquisição lançada pela instituição catalã, onde é defendido que o banco vale 1,54 euros, mais 38% do que os 1,113 euros oferecidos pelo CaixaBank.

 

"A contrapartida oferecida não é justa nem equitativa", defende Mário Leite da Silva, argumentando que não está incorporado, no preço, o fim dos limites impostos aos direitos de voto de 20% - que o CaixaBank quer eliminar antes de concretizar a OPA. Os catalães têm 44,7% do banco mas só podem votar com 20% dos direitos.

 

O representante de Isabel dos Santos considera que 1,113 euros é um preço mais baixo do que aquele que estava a ser oferecido nas negociações entre o CaixaBank e a Santoro no seguimento da redução da exposição do banco a Angola ditado pelo Banco Central Europeu – "no âmbito das quais o preço oferecido pelo CaixaBank era manifestamente superior ao oferecido no contexto da OPA". Negociações que caíram por terra. 

 

Segundo Mário Leite da Silva, o relatório aprovado pela administração – ainda que com o voto contra de quatro administradores (além do representante da Santoro, também Alfredo Rezende de Almeida, Armando Leite de Pinho e Edgar Alves Ferreira votaram contra) – "desconsidera em absoluto o facto de, há cerca de um ano, o próprio conselho de administração do BPI ter considerado a contrapartida oferecida pelo CaixaBank como inadequada por não reflectir o valor do BPI, tendo levado aquele órgão a recomendar aos seus accionistas a sua não aceitação".

Há um ano, a OPA do grupo que pertence ao La Caixa tinha avançado com uma contrapartida de 1,329 euros.

Relatório "omite" matérias obrigatórias

 

Na sua declaração de voto, o membro da administração do BPI também avança que o "relatório omite" matérias que são obrigatórias segundo o Código dos Valores Mobiliários, nomeadamente indicações sobre o que pretende fazer em relação à presença externa do BPI.

"Deveria o conselho de administração do BPI ter emitido a sua opinião sobre matérias tão importantes e fundamentais como o destino dos projectos em curso em Angola e Moçambique e a falta de proximidade cultural do CaixaBank em relação a esses projectos. Porém, o relatório é omisso em relação a tais temas", comenta Mário Leite da Silva, classificando as propostas dos catalães como "vagas e indeterminadas".

 

 

(Notícia actualizada com mais informações às 19:35; notícia corrigida às 21:52 para colocar a nova posição do CaixaBank, que é de 44,7% e não 44,1% como inicialmente indicado)

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