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Jardim Gonçalves: "Eu não exijo nada". A minha reforma é assunto do banco

Para o fundador do BCP, a sua reforma é um assunto do banco, decidido pela comissão de remunerações. "Eu nunca pedi nada", disse ao "Diário Económico" o banqueiro que dedica todo o seu tempo a defender o seu bom-nome.

Jardim Gonçalves: "Eu não exijo nada". A minha reforma é assunto do banco
Hugo Paula hugopaula@negocios.pt 16 de Julho de 2012 às 10:44
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Jardim Gonçalves concedeu uma entrevista ao “Diário Económico” em que falou da sua reforma, das condenações dos reguladores aos bancos e das guerras accionistas que fazem parte da história do banco. Hoje, o fundador do BCP dedica "100%" a defender-se.

"Diria que 100% do meu trabalho é a minha defesa, porque é muito importante, é o meu nome, o nome da minha família e também penso que, recuperado o meu nome, o banco também recupera alguma coisa", disse.

“O banco deve fazer aquilo que entende”

O líder histórico do BCP defende que a sua reforma é um assunto do banco, já que foi decidido pelo banco, pelo conselho de remunerações, sem a sua interferência. As condições foram decididas em 1985, quando “foi estabelecido como é que era a minha vida enquanto presidente executivo do banco e, se não fosse, o que é me aconteceria”, explicou Jorge Jardim Gonçalves.

Em 1995, essas condições foram levadas a assembleia-geral. Por decisão do conselho de remunerações, que considerou “prudente” submetê-las a aprovação dos accionistas perante uma mudança de “determinado contexto”. “Portanto são todo um conjunto de decisões perfeitamente estranhas a mim. Eu nunca sugeri nada”

“O banco faz aquilo que entende, agora, não trato do assunto porque o assunto não é meu, é do banco”, clarificou. De resto, o antigo presidente executivo e do conselho de administração do BCP, afirma que nesse campo segue um critério de vida. “Nunca pedi nada, nunca solicitei nada".
Quanto a um eventual corte da sua reforma responde claramente. “É que não cortou, não corta, a minha reforma é a mesma”, referiu, na entrevista ao "Diário Económico". "O que está estabelecido é o que está estabelecido". Pode, no entanto, “não fazer determinados pagamentos”, como o da segurança pessoal.

“Os accionistas não podem querer mandar no banco”

Américo Amorim deu sempre um contributo positivo nas assembleias gerais do BCP. É uma das afirmações de Jardim Gonçalves na entrevista publicada hoje, onde revelou que a história do banco se fez de guerras. Foi o accionista Amorim Investimentos, onde participavam franceses que precisavam de consolidar a sua posição no BCP, que esteve em guerra com o BCP.

Essa foi uma de quatro guerras que fizeram a história do banco. Porque este foi fundado para não ser ninguém. “Foi assim que o BCP conseguiu ter flexibilidade e capacidade de atrair investidores, que, de outra maneira, não conseguiria, porque ficava na dependência da dimensão e das capacidades desse accionista.”

“Quando o BCP foi fundado, ficou claro que não seria de ninguém e, ao ser cotado em bolsa, que seria do mercado”, lembrou. Ainda hoje, os accionistas não mandam no banco. O que fazem é escolher uma gestão. “E têm toda a liberdade de mudar a gestão, como se viu.

Processos não são para ganhar na secretaria mas em tribunal

Jardim Gonçalves não quer ganhar os processos contra a sua gestão do BCP na secretaria. Quer ganhá-los em tribunal, para onde levou as decisões do Banco de Portugal e da Comissão do Mercado e Valores Mobiliários (CMVM), das quais discorda.

O banco teve "imensas falhas" internas durante o mandato de Jorge Jardim Gonçalves. Erros também. Todos foram corrigidos "oportunamente" sem quebrar a confiança com os clientes. Mesmo os problemas "que eram quase públicos", foram bem geridos nas áreas "private". O importante foi que o cliente nunca fosse prejudicado.
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