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João Salgueiro: A adesão à UE "leva anos". A saída também levará

Todos os grandes projectos que exigem confiança deveriam ser cancelados até uma clarificação sobre a saída do Reino Unido, diz João Salgueiro. Mas o argumento do Brexit para cancelar a venda em bolsa do Novo Banco não convence.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 29 de Junho de 2016 às 17:03
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"A adesão de um país à União Europeia leva anos a negociar. E [consideram] que a saída pode ser feita em dias, em semanas ou meses?" A dúvida foi deixada por João Salgueiro, ex-ministro das Finanças, num colóquio organizado esta quarta-feira, 29 de Junho, pela comissão que defende a reconfiguração da banca portuguesa, para falar nas preocupações futuras para o sector bancário.

 

"Ninguém sabe como vai ser o quadro europeu daqui a um ano". Por isso, para o antigo governante, que também liderou a Associação Portuguesa de Bancos, é necessário esperar. "Tem que se ver se o caso da saída do Reino Unido se faz com calma". João Salgueiro mostrou mesmo desagrado por vários líderes europeus terem pedido aceleração neste abandono.

 

Aliás, segundo o antigo ministro das Finanças, terá de haver novas eleições antes da saída. O primeiro-ministro David Cameron já pediu a demissão. Só com novas eleições e uma nova maioria parlamentar é que poderá proceder-se ao abandono da região, diz João Salgueiro.

 

Na quinta-feira passada, o referendo no Reino Unido decidiu pela saída do espaço comunitário. "Não há precedente". Nesse sentido, "vai ser o paradigma para saídas futuras". Razões para que, segundo João Salgueiro, "devia ser trabalhada com muito cuidado".

 

"A saída do Reino Unido da União Europeia é um risco sério. Ninguém sabe como vai reagir a praça de Londres, a política agrícola,...", declarou João Salgueiro, acrescentando ainda que, dada a dúvida no quadro europeu, "a primeira coisa" que se devia fazer é "suspender todas as coisas que resultarem de medidas que não sejam de confiança".

 

Brexit é "desculpa" para cancelar venda em bolsa Novo Banco

 

Um dos processos que está já a ser influenciado pelo Brexit é, segundo as autoridades portuguesas, a venda do Novo Banco. Havia duas possibilidades: dispersão em bolsa e alienação a investidor(es) estratégico(s). A primeira caiu devido ao resultado do referendo e impacto nos mercados financeiros. "Uma desculpa", ouviu-se na conferência sobre a banca, que se realizou em Lisboa esta quarta-feira.

 

"Não vejo qual é a relação do Brexit e a possibilidade de venda em bolsa. O Brexit não mudou nada. É uma desculpa", disse o académico Paulo Pinho, professor na Universidade Nova, que é consultor de instituições financeiras.

 

Ao longo da sua intervenção na conferência, Paulo Pinho, que foi administrador da REN e está agora no conselho da Sonae Capital, foi bastante crítico do regulador bancário, nomeadamente por ter dado indicações de que o BES estava sólido poucas semanas antes da sua queda, em 2014.

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