Banca & Finanças Jorge Tomé: "As contas do Banif estavam limpinhas e direitinhas"

Jorge Tomé: "As contas do Banif estavam limpinhas e direitinhas"

O ex-CEO do Banif defende que o banco estava "perfeitamente equilibrado" e que a escassez de capital poderia ter sido resolvida de outra forma, com menos prejuízos para o Estado.
Jorge Tomé: "As contas do Banif estavam limpinhas e direitinhas"
Miguel Baltazar/Negócios
Nuno Carregueiro 24 de dezembro de 2015 às 10:29

"As contas do Banif estavam limpinhas e direitinhas. As contas eram auditadas" "não há buraco nenhum", afirmou o ex-CEO do banco, Jorge Tomé, em entrevista à SIC Notícias, onde admitiu que havia um problema de capital no banco, mas não nas contas.

 

Quanto entrou no Banif em Março de 2012, a situação era "muito complicada", com problemas de liquidez e nos rácios de capital. O que foi resolvido com o programa de reestruturação implementado em três anos através de corte de custos e outras medidas, defendeu Jorge Tomé.

 

"Não há nenhum problema nas contas Banif", reforçou o gestor, revelando que o Banco de Portugal "tinha um acompanhamento diário das contas". O gestor afirmou que 2014 foi um ano complicado para o Banif, que foi "apanhado na turbulência do BES".

 

O Banif fez uma "recuperação de liquidez fantástica" e agora estava "perfeitamente equilibrado", sendo que o problema que levou à medida de resolução "foi o capital", que impediu o banco de reembolsar o Estado na última tranche de títulos de dívida.

 

"Tudo se precipitou quando não se conseguiu pagar a última tranche", afirmou Tomé, assinalando que se não fosse a resolução, o prejuízo máximo para o Estado seriam 825 milhões de euros, que correspondem ao capital injectado em 2013 (700 milhões de euros, mais 125 milhões em títulos de dívida).

 

Confrontado na entrevista com a queda acentuada das cotações das acções do banco, Tomé cita dois eventos que penalizaram o Banif. Primeiro a queda do BES no ano passado, que obrigou o banco a efectuar provisões nas contas, e depois mais recentemente quando o Banif foi "colocado na agenda política" na altura das eleições.

 

Reconhecendo que o Banif precisava de ser capitalizado, Jorge Tomé assinalou que bastavam 350 milhões de euros, montante que daria para pagar os 125 milhões de euros de títulos de dívida. "Era fácil", argumentou, acrescentando que o preço de venda do Banif poderia chegar "aos 450 milhões euros", um valor que não foi atingido também porque "houve aquele episódio da TVI", que noticiou que estava a ser preparado o fecho do banco.

 

Tomé liderava o Banif até domingo, quando o regulador, em coordenação com o Governo, anunciou a divisão do banco em três entidades: a parte bancária foi vendida ao Santander; foi criado um veículo para gerir os activos não bancários, como imobiliário e a Açoreana; o Banif permaneceu como uma entidade esvaziada de activos, com os accionistas e detentores de dívida pública (que deverão perder a totalidade dos investimentos).

 

Esta decisão do Banco de Portugal implicou uma injecção estatal imediata de 2.255 milhões de euros no banco (já vendido ao Totta), custo que poderá subir a 3 mil milhões de euros pela prestação de garantias ao Santander Totta e ao veículo de gestão de activos. Para trás, ficam já perdidos os 825 milhões de euros de ajuda estatal de 2012 que não foram devolvidos.

 

Tomé considera que o resultado da intervenção representa um "desastre" para o Estado e para os contribuintes e confessa-se "desalentado e chocado" com o resultado, pois "sempre acreditei naquele projecto".

 

"Podia não ter sido assim", disse Tomé, que não critica a opção pela resolução, mas sim a "solução encontrada", uma vez que o banco foi vendido numa operação relâmpago e sem negociação de propostas. Lamentou ainda que os gestores do banco estejam a ser apresentados como uma "espécie de bandidos". 




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