Banca & Finanças Jorge Tomé: “Estado não vai perder dinheiro nenhum” com o Banif

Jorge Tomé: “Estado não vai perder dinheiro nenhum” com o Banif

CEO do Banif está convencido que o Estado sairá do capital do banco antes do prazo previsto de cinco anos e de que será um “bom investimento” com “muito pouco risco”. Afasta comparações com o BPN e diz que o dinheiro que o Estado vai injectar será destinado à compra de dívida pública.
Jorge Tomé: “Estado não vai perder dinheiro nenhum” com o Banif
Nuno Carregueiro 10 de janeiro de 2013 às 09:10

Jorge Tomé, CEO do Banif, afirmou ontem em entrevista à SIC Notícias que o Estado corre “muito pouco risco” na operação de recapitalização do banco, garantindo que “não vai perder dinheiro nenhum” com a operação, que passa pela injecção de 1,1 mil milhões de euros de capitais públicos na instituição financeira.

 

Assinalou que o Estado “vai fazer aqui um bom investimento”, pois o seu dinheiro será remunerado com taxas mais elevadas do que as que paga hoje para se financiar. O empréstimo em títulos de dívida (CoCos), no valor de 400 milhões de euros, será remunerado acima de 9%, e os 700 milhões de euros em capital beneficiam de um dividendo prioritário de 10%, concretizou.

 

Jorge Tomé revelou ainda que o dinheiro que o Estado vai injectar no Banif será utilizado pelo banco para comprar dívida pública, que depois o Banif poderá utilizar como colateral para obter financiamento junto do BCE. Daí que o CEO do Banif conclua que “na prática o Estado vai ficar devedor do banco” e que “corre muito pouco risco” com a operação.

 

Questionado sobre se os contribuintes serão ressarcidos pelo dinheiro que estão a injectar no Banif, Tomé garantiu que sim, lembrando que as contas do banco, no âmbito deste plano de recapitalização, foram escrutinadas pelo Banco de Portugal, mas também pelos elementos da troika: FMI, BCE e Comissão Europeia. “O banco passou em todos os testes de stress”, garantiu.

 

O CEO do Banif acredita mesmo que o Estado pode vir a sair do capital do banco antes do prazo de cinco anos previsto, pois o plano de negócios do banco assenta em “pressupostos conservadores”.

 

Confrontando com o facto de o Estado não mandar no banco, apesar de assumir provisoriamente mais de 99% do capital do banco e depois a maioria dos direitos económicos, Tomé afirmou que o estatuto do Estado será especial e terá um dividendo prioritário.

 

O Estado, “como não tem o mesmo risco dos privados, não tem tantos direitos de voto”, afirmou o mesmo responsável, assinalando que “tem que haver equilíbrio”. Reforçou que o Banif, antes da injecção do Estado, registou todas as imparidades que tinha que realizar, tendo ainda assim permanecido com uma situação líquida e um valor contabilístico entre 400 e 500 milhões de euros.

 

Os privados vão colocar mais 450 milhões de euros no capital do banco, pelo que “porque é o Estado devia ficar maioritário?”, questionou Jorge Tomé, mostrando-se muito confiante nesta injecção de fundos por parte dos privados, que deverá ocorrer na primeira metade deste ano.

 

Na entrevista à SIC Notícias, Tomé revelou que o Banif vai apostar no financiamento às PME, desfazendo-se dos créditos de baixo rendimento, como à habitação. Quanto às imparidades no imobiliário, afirmou que foram já todas registadas e que no futuro o que pode haver é recuperação com a venda dos activos.

 

Afastou problemas de crédito malparado na Madeira, bem como a comparação entre o Banif e o BPN. O gestor, que acompanhou o BPN pois era administrador da CGD, afirma que não há “nenhuma comparação com o BPN”, pois são “bancos com perfis completamente diferentes”.

 

Revelou ainda que o Banif não sentiu nenhum problema com os depósitos no banco, que continuaram a crescer neste último ano.

 

Quanto ao sector financeiro português considera ser uma “excepção pela positiva” na Europa. Este ano acredita que pode ser o da viragem na concessão de crédito à economia e quanto às contas públicas de Portugal, afirma que “não vai haver margem em matéria orçamental”, mas Portugal tem que “estimular o investimento privado”, que apresenta uma queda “preocupante”.

 

Mostrou ainda esperança que o Orçamento do Estado seja executado como o previsto, ou seja, sem o chumbo de medidas por parte do Constitucional, pois as medidas alternativas “são muito piores”.




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