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Jorge Tomé diz que espanholização da banca não é um risco no imediato

O ex-presidente do Banif vê perigos para uma economia se grande parte do poder for decidido numa única região. Mas, um dia depois de ser conhecido que está a ser preparado um manifesto contra a espanholização, Jorge Tomé diz não acreditar que tal possa acontecer no curto prazo.

Miguel Baltazar/Negócios
Negócios 21 de Março de 2016 às 12:46
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Jorge Tomé não acredita que haja o risco, no imediato, de a maioria dos bancos portugueses ficar nas mãos de capitais espanhóis. Essa ideia pode materializar-se mas só no futuro. E, a acontecer, pode trazer riscos.

 

"Se um banco tiver um poder de mercado de 35% ou mais, se o poder de decisão estiver num banco e a sua sede for em Madrid, põe-se problemas sérios à especialização da economia portuguesa. Não podemos deixar que a especialização da economia portuguesa seja decidida num banco em Madrid", indicou o antigo presidente do Banif, que saiu com a intervenção do Banco de Portugal a 20 de Dezembro de 2015, no Fórum TSF.

 

No mesmo programa, Jorge Tomé disse, contudo, que o problema não é de Espanha. "Este é um problema que tem de ser analisado região a região. Não basta ter quotas de mercado generalistas. É diferente estar em Madrid, Catalunha", acrescentou ainda o antigo gestor do Banif, que antes esteve na administração da Caixa Geral de Depósitos.

 

O tema da eventual espanholização da banca voltou à ribalta pela voz do comentador político Marques Mendes, que defendeu que era um risco agora que o La Caixa poderia ficar a controlar o BPI, se chegasse a acordo com a empresária angolana Isabel dos Santos. Algo que poderá acontecer depois de o Banif ter sido alvo de uma resolução e, no âmbito dessa intervenção, vendido ao Santander Totta. Ainda ontem o mesmo comentador político veio falar num manifesto promovido precisamente para combater essa perspectiva de bancos portugueses sob o jugo espanhol. 


Mas, apesar de ainda haver uma parte relevante do mercado bancário português à procura de accionista (o Novo Banco está à venda), Jorge Tomé não acredita num problema imediato. "Neste momento não há nenhuma preocupação quanto a uma espanholização da banca. É um receio a prazo mais do que a curto prazo. Estamos muito longe de ter dados concretos para termos esse tipo de receios. É mais um apelo prospectivo. Nada mais do que isso", disse aos microfones da TSF.


A preocupação efectiva tem de ser a forma como se rentabiliza o negócio bancário. "O que temos de ver é os modelos de negócios de cada um. Estamos num mercado aberto. Ainda bem que os capitais estrangeiros estão interessados nos nossos activos", opina. 

Jorge Tomé está sem exercer funções bancárias desde a resolução aplicada ao Banif. Vai explicar a sua liderança, desde 2012, na comissão parlamentar de inquérito à intervenção no banco, que foi vendido ao Totta, controlado pelo espanhol Santander. 

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