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Jorge Tomé lança farpas a Carlos Costa e Maria Luís Albuquerque  

"Temos de nos deixar de esconder detrás dos biombos", diz o ex-presidente executivo do Banif, na SIC Notícias. "Podia ter feito bastante mais", é a mensagem para a ministra do anterior Governo.

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 24 de Dezembro de 2015 às 08:45
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Jorge Tomé deixou críticas ao governador do Banco de Portugal, que decidiu o fim do banco que liderava até 20 de Dezembro, o Banif, na entrevista à SIC Notícias. A anterior ministra não escapou. 

"Acho que o Banco de Portugal, com os comunicados que tem feito, defende-se muito com as instâncias europeias", comentou o antigo CEO do banco. "Temos de nos deixar de esconder detrás dos biombos", atirou.

 

Na sua entrevista, Jorge Tomé deixou dúvidas sobre o processo de resolução e lembrou que a Grécia, onde os bancos têm uma delicada situação financeira, "não há nenhum banco resolvido". "No espaço de um ano e meio, houve dois em Portugal", disse. Antes do Banif, foi a vez do BES, em Agosto de 2014. 

 

Sobre a antiga ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, também ficaram considerações negativas por parte de Jorge Tomé. "Podia ter feito mais".

 

Mais uma vez, o gestor reiterou que se perdeu a oportunidade de vender o Banif em Março mas, aí, a governante, apesar de mostrar receptividade para se receber propostas não solicitadas, não quis abrir um "concurso estruturado". Na mesma altura, procedia-se à alienação do Novo Banco. "A seguir, meteu-se o calendário político", comentou.

 

O actual Governo, pelo contrário, é elogiado. "Deu-nos sempre todo o apoio", comentou. Contudo, pouco poderia ter feito: "O Governo estava muito limitado nesta situação", considerou

 

Tomé liderava o Banif até domingo, quando o regulador, em coordenação com o Governo, anunciou a divisão do banco em três entidades: a parte bancária foi vendida ao Santander; foi criado um veículo para gerir os activos não bancários, como imobiliário e a Açoreana; o Banif permaneceu como uma entidade esvaziada de activos, com os accionistas e detentores de dívida pública (que deverão perder a totalidade dos investimentos).

 

Esta decisão do Banco de Portugal implicou uma injecção estatal imediata de 2.255 milhões de euros no banco (já vendido ao Totta), custo que poderá subir a 3 mil milhões de euros pela prestação de garantias ao Santander Totta e ao veículo de gestão de activos. Para trás, ficam já perdidos os 825 milhões de euros de ajuda estatal de 2012 que não foram devolvidos. 

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