Banca & Finanças Jorge Tomé: "Restrição de tempo na venda do Banif tem implicações no preço"

Jorge Tomé: "Restrição de tempo na venda do Banif tem implicações no preço"

O presidente executivo do Banif tem acções do banco mas não as vende. "Compraria mais". Porquê? "Acredito no projecto", declarou Jorge Tomé à SIC para quem a venda apressada vai prejudicar o preço do banco.
Jorge Tomé: "Restrição de tempo na venda do Banif tem implicações no preço"
Diogo Cavaleiro 15 de dezembro de 2015 às 21:44

O presidente do Banif admitiu, em entrevista à SIC, que a venda acelerada do Banif, que tem de estar concluída até sexta-feira, tem efeitos no preço.

 

"A restrição de tempo que tivemos para vender o banco, tenho de reconhecer, tem implicações no preço. Isso tenho de reconhecer", disse Jorge Tomé, referindo-se ao calendário definido para a venda do banco até sexta-feira.

 

O Banif tem de encontrar um comprador para a participação estatal, de 60% do seu capital. O Estado adquiriu tal posição através da injecção de 700 milhões de euros em acções em 2012 (na mesma altura, subscreveu 400 milhões de euros em instrumentos híbridos, os chamados CoCos). A Comissão Europeia lançou uma investigação aprofundada para averiguar a adequação de tal auxílio estatal concedido, pelo que a venda da posição do Estado colocaria fim à análise de Bruxelas. Sem essa venda, e caso a ajuda seja considerada ilegal, o Estado tem de arranjar forma de recuperar o dinheiro, o que colocaria o banco em maiores dificuldades. 

 

Neste momento, toda a ajuda investida em acções (700 milhões de euros) está por pagar, além de 125 milhões de euros em Cocos. Uma venda abaixo desse valor será com prejuízo para o Estado e o impacto no preço é admitido por Jorge Tomé. Aquando da injecção estatal, cada título do Banif valia 1 cêntimo. Esta terça-feira, as acções valem dez vezes menos: estão a cotar em 0,1 cêntimos.

 

Tomé confirmou que já tinha tentado alienar aquela participação maioritária no início do ano, mas tal não foi possível e o culpado, diz, é o Novo Banco. "Na altura, o Governo, como também tinha o processo do Novo Banco em curso, muito provavelmente não quis misturar os processos e, portanto, o que nos disse foi o seguinte: se aparecerem propostas não solicitadas, olhamos, mas, abrir um concurso de forma estrutura não nos parece melhor solução nesta altura", declarou à SIC.

 

Na mesma entrevista, o presidente da instituição financeira sediada no Funchal defendeu que o Banif é um caso "muito diferente" do BES, referindo que o banco foi alvo de uma "profunda reestruturação e de várias auditorias". Aliás, sobre o BES, Jorge Tomé disse que foi a resolução a ele aplicada que impediu que o Banif pagasse os 125 milhões de euros em CoCos ao Estado na data prevista (até ao final do ano passado).

 

Numa outra entrevista à RTP Madeira, Jorge Tomé afirmou que há seis interessados na aquisição da participação estatal no banco. Aí, assegurou também que contribuintes e depositantes estão protegidos - a defesa dos depósitos também já foi feita pelo Governo e pelo Banco de Portugal.  

 

"Acredito neste projecto"

 

A SIC questionou Jorge Tomé sobre as 36 milhões de acções do Banif que detinha em Outubro. Vendeu-as? "Não" e, acrescentou o gestor: "Se pudesse comprar mais, compraria".

 

Mas não está o CEO do Banif a perder dinheiro? "Está bem, mas eu acredito neste projecto".

 

 

 

 




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