Banca & Finanças José Veiga tentou criar um banco antes de se lançar ao Novo Banco de Cabo Verde

José Veiga tentou criar um banco antes de se lançar ao Novo Banco de Cabo Verde

Dois meses antes de pedir autorização para comprar o antigo Banco Espírito Santo de Cabo Verde, o empresário de futebol solicitou a constituição de um Banco Internacional Africano. Recebeu um não.
José Veiga tentou criar um banco antes de se lançar ao Novo Banco de Cabo Verde
Diogo Cavaleiro 04 de fevereiro de 2016 às 16:26

Antes de querer comprar o banco cabo-verdiano que pertence ao Novo Banco, José Veiga tentou adquiriu uma outra instituição financeira naquele país. Só que o antigo empresário de futebol, detido por suspeitas de crimes de corrupção, não conseguiu. A informação é dada pelo regulador daquele país africano.

 

"O Groupe Norwich, S.A., cujo accionista único é o Sr. António José da Silva Veiga, solicitou ao Banco de Cabo Verde autorização para constituir um banco com a designação de Banco Internacional Africano, S.A", assinala o comunicado publicado no site oficial do Banco de Cabo Verde.

 

Contudo, não houve autorização: "o pedido em questão foi indeferido pelo conselho de administração do Banco de Cabo Verde, na sua sessão ordinária do dia 20 de Novembro de 2015, por falta de preenchimento dos requisitos legais exigidos". Não são feitos esclarecimentos adicionais, nomeadamente sobre quais os requisitos em falta. 

 

Dois meses depois de receber a recusa, José Veiga voltou à carga com um novo pedido junto do regulador. "O mesmo grupo, por carta endereçada ao Banco de Cabo Verde, no dia 18 de Janeiro de 2016, pediu autorização para a aquisição da totalidade das acções do Banco Internacional de Cabo Verde (BICV), ex- Banco Espírito Santo de Cabo Verde, S.A. (BESCV), detidas pelo Novo Banco, S.A. (Portugal)", indica o comunicado publicado esta quinta-feira, 4 de Fevereiro.

 

O empresário José Veiga foi o vencedor da venda do Banco Internacional de Cabo Verde, que transitou para o Novo Banco no âmbito da resolução aplicada ao Banco Espírito Santo, num processo que levaria 14 milhões para a instituição liderada por Eduardo Stock da Cunha. Contudo, conforme deu conta o Negócios, a operação corre, agora, o risco de ser anulada, já que não deverá obter a autorização por parte do Banco de Portugal. Aliás, neste momento, nem há ainda uma posição por parte do regulador de Cabo Verde, que adianta no comunicado estar ainda a analisar, prometendo uma decisão "dentro do prazo estabelecido".

 

José Veiga já tinha estado ligado à banca quando se tornou público que liderava um grupo de investidores do Congo e da Guiné interessados em participar em aumentos de capital em sociedades do Grupo Espírito Santo, grupo que controlava o BES. 

 

O antigo empresário de futebol foi detido esta quarta-feira suspeito de participação em crimes de corrupção no comércio internacional, branqueamento de capitais, tráfico de influências, participação económica em negócio e fraude fiscal, segundo o comunicado da Procuradoria-Geral da República. 




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