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Lesados do BES vão continuar a protestar no Novo Banco "antes, durante a após a venda"

Os detentores de papel comercial consideram que o Banco de Portugal está a sacudir a água do capote: "Sendo a credibilidade da palavra do governador um dos pilares da função, foi e será um muito mau prenúncio do futuro".

Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 15 de Junho de 2015 às 12:07
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A Associação de Indignados e Enganados do Papel Comercial promete continuar a manifestar-se até que os seus associados sejam reembolsados do investimento feito em dívida de sociedades do Grupo Espírito Santo vendida aos balcões do Banco Espírito Santo.

 

"Os lesados do papel comercial e a AIEPC irão manter os seus protestos na "rua" e à porta do Novo Banco (antes, durante a após a sua venda) enquanto as autoridades, em particular o Banco de Portugal, continuarem a mentir e a fugir às suas responsabilidades anteriormente assumidas no reembolso das suas poupanças", indica um comunicado de imprensa datado de sábado passado, 13 de Junho.

 

O documento foi uma resposta a Carlos Costa que, um dia antes, havia dito no Parlamento, que um problema como o do papel comercial "não é na rua que se resolve". Há cerca de 2.500 investidores que adquiriram títulos de dívida de curto prazo da ESI, Rioforte e ES Property, num montante global de mais de 500 milhões de euros, que não foram ainda reembolsados.

 

A associação de lesados, no comunicado assinado pelo presidente Ricardo Ângelo, defende que os clientes do antigo BES compraram o papel comercial empurrados pelo Banco de Portugal e acusa também o regulador do sector financeiro de ter conhecimento da falsificação de contas da sociedade de topo do GES, a ESI, sem ter comunicado isso mesmo ao mercado no imediato - permitindo a venda de mais títulos.

 

"Foi o Banco de Portugal e Novo Banco que, durante largos meses (quase todo o segundo semestre de 2014), por escrito e publicamente, assumiram e garantiram o reembolso integral do papel comercial aos clientes BES/Novo Banco", relembra ainda a AIEPC no documento, fazendo referência à garantia que era dada no site do Novo Banco e que, no arranque de 2015, foi retirada do site oficial.

 

Na sexta-feira, Carlos Costa voltou a remeter uma solução para estes investidores para a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. O Banco de Portugal tem repetido que as queixas quanto a uma venda irregular de produtos financeiros têm de ser dirigidas ao regulador do mercado de capitais.

 

"Fica-lhes muito, muito mal este ‘sacudir a água do capote’. Como primeiro acto público de recondução do Dr. Carlos Costa no cargo para mais cinco anos, e sendo a credibilidade pública da palavra do governador do banco central um dos pilares fundamentais da função, foi e será um muito mau prenúncio do futuro que se avizinha", indica ainda Ricardo Ângelo no comunicado de imprensa.

 

A comunicação termina com um pedido à CMVM para que reafirme "de forma incondicional a razão legal e moral que assiste aos clientes lesados do papel comercial no reembolso das poupanças aos lesados do papel comercial".

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