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Luís Montenegro: "O primeiro-ministro tem dado mostras de se querer afirmar como o 'dono disto tudo'"

O ataque a António Costa é feito pelo líder parlamentar do PSD em entrevista à TSF. E a propósito da alegada intervenção do primeiro-ministro no caso BPI.

Miguel Baltazar/Negócios
Negócios 26 de Março de 2016 às 14:02
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O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, em entrevista à TSF, volta à carga nas críticas a António Costa sobre a alegada intervenção no processo do BPI. E diz mesmo que o primeiro-ministro tem dado mostras de se querer afirmar como "dono disto tudo", uma atribuição que era dada a Ricardo Salgado, quando liderava o Banco Espírito Santo e antes da queda do banco e do banqueiro.

"Uma coisa é o primeiro-ministro ter preocupações e o chefe do Governo obter informação sobre o contexto de determinado processo. Outra coisa é interferir directamente nessa situação e arrogar-se uma intervenção que do nosso ponto de vista não estamos a ver que cobertura legal e constitucional pode ter. Sobretudo o mais relevante é compreender o alcance da intervenção do primeiro-ministro. Aparentemente, o dr. António Costa tem dado várias mostras de se querer afirmar como o 'dono disto tudo'".

Este e um dos excertos da entrevista da TSF a Luís Montenegro que ocupou parte dela a falar do sistema financeiro. Luís Montenegro falava da alegada intervenção de António Costa na intermediação entre accionistas do BPI para que o caso se resolva. Ainda não há resolução, mas depois de António Costa, segundo o Expresso, ter recebido Isabel dos Santos, a empresária teria admitido sair do BPI, comprar a posição deste banco no angolano BFA e entrar, a prazo, no BCP.

Depois destas notícias, o PSD questionou o Governo, mas ainda não terá obtido respostas. Colocou oito questões. Luís Montenegro diz agora que "uma das questões que colocámos é saber se [António Costa] invadiu a zona de intervenção e competência do Banco de Portugal e do governador. O que vem na calha do que disse há pouco do dr. António Costa querer um comando quase absoluto dos vários poderes. Outro exemplo é a forma como se dirigiu ao governador, chamando-lhe irresponsável em público e querendo condicionar o exercício independente e autónomo do regulador.

Mais à frente o líder parlamentar do PSD - partido que enquanto esteve no governo reconduziu Carlos Costa no Banco de Portugal - elogiou Carlos Costa. "O país tem razões para estar agradecido ao desempenho do dr. Carlos Costa" e, segundo acrescentou, os portugueses "não estão insatisfeitos pela forma como o sistema financeiro está em processo de purificação", depois de acumular um "funcionando que se revelou penalizador para a economia e finanças".
Quanto ao Novo Banco, Luís Montenegro deixou também insinuações sobre as mensagens antiespanholização da banca portuguesa, interrogando-se sobre "o que se quer construir com esse papão da espanholização? Pretende-se construir uma incapacidade de se vender o Novo Banco, inviabilizar venda só porque o destinatário pudesse ser espanhol?". Montenegro deixa ainda no ar a interrogação sobre se o governo não quer vender o Novo Banco, avançando eventualmente na pretensão do parceiro parlamentar PCP na nacionalização do banco. "É isso que está em cima da mesa ou não?".



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