Banca & Finanças Mais de 90% dos clientes de retorno absoluto do BPP recuperam o capital  

Mais de 90% dos clientes de retorno absoluto do BPP recuperam o capital  

A grande maioria dos cerca de 3.000 participantes do 'megafundo' de retorno absoluto do Banco Privado Português (BPP) vão reaver o capital investido naqueles produtos, avançou à Lusa Jaime Antunes, presidente da Privado Clientes.
Mais de 90% dos clientes de retorno absoluto do BPP recuperam o capital  
Pedro Elias/Negócios
Lusa 17 de abril de 2016 às 11:51

"Seguramente mais de 90% dos clientes de retorno absoluto recuperaram o capital que aplicaram no BPP", afirmou o responsável, explicando que a 'fatia de leão' do dinheiro vai ser distribuída durante o próximo mês de junho.

 

Segundo Jaime Antunes, "a liquidação do fundo vai decorrer nos meses de abril e maio, o que significa que as pessoas no início de junho vão receber o dinheiro resultante da liquidação do fundo", cuja liquidação estava inicialmente prevista para ocorrer em Abril.

Contudo, "houve um pedido de extensão do prazo até maio, de maneira a que a sociedade gestora não tenha um ‘stress’ de vendas e não seja obrigada a vender a qualquer preço" os activos que integram o 'megafundo', explicou.

 

E reforçou: "Através da valorização desses ativos no fundo, mais a participação do Fundo de Garantia dos Depósitos (FGD) e do Sistema de Indemnização aos Investidores (SII), a generalidade dos clientes do BPP que investiram em retorno absoluto recuperaram o seu capital".

 

Conforme realçou o líder da Privado Clientes, "é claro que [estes clientes] perderam os juros [prometidos pelo BPP] e andaram estes anos todos sem o capital poder ser utilizado mas, do mal, o menos, houve uma recuperação do capital".

 

Jaime Antunes especificou que a pequena percentagem de clientes de retorno absoluto que não vão conseguir recuperar a totalidade do capital investido são os que têm as maiores aplicações, "da ordem dos vários milhões de euros", e que tinham poucos titulares nas contas.

 

O responsável sublinhou que o 'megafundo' chegou a ter quase 700 milhões de euros de ativos, mas ao longo do tempo a sociedade gestora, a Banif Gestão de Ativos, foi vendendo alguns ativos e distribuindo a liquidez aos participantes.

 

Mesmo após a resolução do Banif, em dezembro de 2015, a sociedade gestora continuou a sua atividade, ainda que esteja agora integrada na esfera pública.

 

"Não houve perturbação e [a gestora do fundo] vai levar a sua actividade até ao fim", assinalou.

 

Na sexta-feira houve a primeira distribuição de liquidez desde que o 'megafundo' entrou em liquidação.

 

Este Fundo Especial de Investimento (FEI) do BPP foi criado em março de 2010, pelo que esteve ativo durante cerca de seis anos, tendo os seus participantes optado depois pela sua liquidação.

 

"Esta solução foi um grande sucesso, porque foi através deste instrumento – um fundo de investimento mobiliário – que foi possível na altura, ainda antes de o banco entrar em situação de insolvência, liquidar todos os veículos de investimento que o BPP tinha criado nas Ilhas Virgens, e que eram geridos a partir do BPP Cayman, que por sua vez era controlado pelo BPP", vincou Jaime Antunes.

 

O economista frisou que, caso não tivesse sido lançado este fundo, com a insolvência do BPP haveria três jurisdições a atuar naquilo que seria a massa insolvente de cada um daqueles veículos.

 

"Isso, do ponto de vista jurídico, era um pandemónio e nunca mais chegávamos a lado nenhum", constatou.

 

"Quando nós decidimos criar esse fundo e trazer todos os activos para Portugal, criámos uma situação em que se podia valorizar os activos que existiam e os participantes sabiam que tinham o seu património salvaguardado numa instituição financeira, o fundo de investimento mobiliário detido pelos participantes", afirmou.

 

"Essa foi uma medida essencial para que os clientes de retorno absoluto, que tinham investido no BPP em produtos sem risco, garantidos pelo próprio banco, e que muitas pessoas entendiam que eram depósitos ou produtos equiparados a depósitos. Com a criação do fundo, o património dos participantes ficou salvaguardado e ao longo do tempo os ativos valorizaram", insistiu.

 

Questionado sobre se esta solução pode ser replicada para ajudar a resolver os problemas dos lesados do Banco Espírito Santo (BES), do Novo Banco e do Banif, Jaime Antunes considerou que são situações distintas e que não podem ser comparadas.

 

"São casos muito diferentes. Cada caso é um caso. No caso do BPP, hoje é possível dizer que a liquidação do banco foi prematura e foi provavelmente um erro. Porque a massa insolvente do BPP hoje, segundo as entrevistas que têm sido dadas pelo presidente da comissão liquidatária, poderá atingir 650 a 700 milhões de euros", disse.

 

"Como os créditos reclamados ao banco eram de 1.800 milhões de euros, se se abater aí o que vai ser realizado [com o fundo] e o que os clientes entretanto já receberam, hoje é claro que quando o presidente do BPP da altura, João Rendeiro, pediu um apoio ao BdP de 700 milhões de euros, se o Banco de Portugal lhe tem dado alguma facilidade de liquidez para fazer face àquele momento de quebra de liquidez do banco, em 2008, o banco tinha viabilidade", considerou Jaime Antunes.




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