Banca & Finanças Maria Luís Albuquerque: Governo está a lidar com sistema financeiro de forma "muitíssimo perigosa"

Maria Luís Albuquerque: Governo está a lidar com sistema financeiro de forma "muitíssimo perigosa"

A ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, classificou hoje como "muitíssimo perigosa" a forma como o Governo socialista de António Costa está a lidar com o sistema financeiro, a propósito de uma questão relativa ao Novo Banco.
Maria Luís Albuquerque: Governo está a lidar com sistema financeiro de forma "muitíssimo perigosa"
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 21 de julho de 2016 às 13:37

"A forma como este Governo está a lidar com o sistema financeiro é absolutamente irresponsável e muitíssimo perigosa", disse Maria Luís Albuquerque, à margem da Grande Conferência Europa, uma iniciativa do Diário de Notícias e da Vodafone, em Lisboa, quando questionada sobre divergências no que diz respeito ao Novo Banco.

 

O executivo socialista de António Costa informou na segunda-feira a Comissão Europeia de que "não considera a possibilidade" de realizar uma nova ajuda estatal ao Novo Banco, acrescentando que, se o banco não for vendido até agosto de 2017, entra num processo ordeiro de liquidação.

 

A ex-ministra do Governo social-democrata de Pedro Passos Coelho reforçou que "aquilo que tem sido dito é muito grave pelo impacto que tem sobre a consequência" e afirmou que espera "que seja possível evitar consequências mais sérias".

 

"O sistema financeiro, mais do que qualquer outro sector de actividade vive de confiança. Não há motivo nenhum que possa justificar declarações por parte de responsáveis do Governo, das Finanças e de um primeiro-ministro que ponham em causa a confiança no sistema financeiro. As consequências para o sistema financeiro do país podem ser terríveis e isso não é uma questão de política partidária, é uma questão de responsabilidade política", afirmou.

 

O primeiro-ministro, António Costa, recusou na quarta-feira antecipar cenários sobre o Novo Banco e, quando confrontado com as declarações do ministro das Finanças, Mário Centeno, de que o banco poderia ser alvo de um processo de liquidação caso não seja vendido até agosto de 2017, o líder do executivo invocou a legislação aplicável a este caso e considerou que o ministro Mário Centeno afirmou apenas "aquilo que resulta da lei".

 

Questionado se a actuação do Governo, sobretudo na sequência das declarações de Mário Centeno, não está a colocar o Novo Banco entre a espada e a parede, o primeiro-ministro recusou essa perspectiva, contrapondo que quem fez isso "foi quem o quis vender à pressa antes das eleições e desvalorizou-o, fracassando na venda, e quem não tratou sequer de aumentar o prazo disponível para vender o banco".

 

Já na terça-feira, o líder parlamentar do PSD disse haver uma instabilidade "muito preocupante" no sistema financeiro e bancário, potenciada pelo Governo, dando como exemplos notícias que se "multiplicam" sobre a Caixa Geral de Depósitos (CGD) ou o Novo Banco.

Resposta do Governo a Bruxelas "poderia ser bastante melhorada" Maria Luís Albuquerque "não acredita, nem deixa de acreditar" que Portugal terá "sanções zero", e sublinha que o Governo tem os instrumentos para esse resultado, mas que a resposta que deu a Bruxelas "poderia ser bastante melhorada".

"Acho que a resposta que foi dada do ponto de vista técnico, aquela que é conhecida (...), parece-nos uma argumentação que, enfim, poderia ser seguramente bastante melhorada", disse Maria Luís Albuquerque, à margem da Grande Conferência Europa, uma iniciativa do Diário de Notícias e da Vodafone, que decorreu em Lisboa. 

A ex-ministra das Finanças reiterou que "já foi dito claramente por parte das instâncias europeias que a aplicação de sanções zero ou suspensão de fundos depende daquilo que são as respostas que o executivo português dê" e da sua credibilidade junto das instâncias e dos parceiros europeus.

"Não acredito, nem deixo de acreditar [que Portugal será alvo de sanções zero], não estou por dentro das conversas que está a haver, acho que o Governo tem todos os instrumentos, todos os meios para garantir esse resultado. Se vai ou não consegui-lo, cabe ao Governo fazer esse trabalho", afirmou.

 




pub

Marketing Automation certified by E-GOI