Banca & Finanças Maria Luís defende que Bruxelas podia ter actuado sobre Banif há três anos

Maria Luís defende que Bruxelas podia ter actuado sobre Banif há três anos

A antiga ministra das Finanças admite que o processo Banif foi "o mais difícil desde o primeiro minuto" com que teve de lidar nas relações com a Comissão Europeia. 
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Diogo Cavaleiro 06 de abril de 2016 às 19:57

Apesar de atirar para o Banco de Portugal a responsabilidade por levar o Governo a injectar 1,1 mil milhões de euros estatais no início de 2013, Maria Luís Albuquerque também lançou farpas à Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia.

 

"No início de 2013, a Direcção-Geral da Concorrência poderia não ter autorizado a operação de recapitalização pública. Ao não o fazer, mesmo evidenciando os riscos, explicitamente admite que considera que os argumentos expendidos pelas autoridades nacionais são suficientemente válidos para fazer essa aprovação", disse a antiga ministra das Finanças em resposta ao deputado social-democrata Carlos Abreu Amorim.

 

Ou seja, na óptica de Maria Luís Albuquerque, desde aí que Bruxelas poderia ter actuado sobre o Banif.

 

As considerações da antiga governante foram feitas depois de Luís Amado ter dito que havia dificuldades de relacionamento com a Direcção-Geral da Concorrência. "O processo Banif foi o mais difícil desde o primeiro minuto", admitiu Maria Luís Albuquerque, dizendo que a troika e a direcção "tiveram uma postura negativa que não tiveram relativamente a outros processos".

 

Da mesma forma, Maria Luís Albuquerque recusa que a mudança de Comissão Europeia – da presidência de Durão Barroso para Jean-Claude Juncker – tenha prejudicado ainda mais a relação entre as instituições europeias e Bruxelas. "Não diria que as relações pioraram. O facto de haver um novo titular [Joaquín Almunia foi substituído na Concorrência por Margreth Vestager] que não estava no processo fez com que voltássemos um bocado atrás e tivéssemos de fazer um esforço adicional de voltar a explicar.

 

Em Julho de 2015, Bruxelas abriu uma investigação aprofundada ao auxílio estatal ao Banif, para averiguar a legalidade da ajuda europeia. 

 

No final de 2015, e já com Maria Luís Albuquerque fora do Governo português, a pressão da Direcção-Geral da Concorrência acabou, juntamente com a feita pelo BCE, por levar à intervenção do Banif, segundo o governador do Banco de Portugal Carlos Costa. 




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