Banca & Finanças Maria Luís: Havia "muitos interessados no Banif" mas Governo temia concurso de venda "deserto"

Maria Luís: Havia "muitos interessados no Banif" mas Governo temia concurso de venda "deserto"

"Tivemos manifestações de interesse. Nunca tivemos uma oferta", comentou Maria Luís Albuquerque na comissão de inquérito ao Banif. Por isso, temia que não houvesse compradores.
Maria Luís: Havia "muitos interessados no Banif" mas Governo temia concurso de venda "deserto"
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 06 de abril de 2016 às 20:32

"Houve vários interessados no Banif". "Muitos", até, segundo Maria Luís Albuquerque. Mas nunca se avançou para a venda. Porque a ministra temia que o concurso de venda ficasse "deserto".

 

"Tivemos manifestações de interesse. Nunca tivemos uma oferta", justificou a ministra das Finanças entre 2013 e 2015 para nunca ter sido vendida a participação maioritária que o Estado tinha no Banif.

 

Houve vários interessados no Banif – o Haitong, que comprou o BESI, foi um deles, segundo a documentação recebida pela comissão de inquérito – mas nada formal. Daí que não tenha havido um processo de alienação oficial.

 

"Um processo de venda de um banco é algo que se tem de ponderar muito cuidadosamente", explicou a antiga governante ao deputado social-democrata Carlos Abreu Amorim. "Só quando se tem grau de confiança de que vão aparecer interessados" é que se pode avançar.

 

"A pior coisa que poderia acontecer ao Banif era abrir um concurso de venda e ele ficar deserto", considerou Maria Luís Albuquerque aos deputados, na audição desta quarta-feira, 6 de Abril, na comissão de inquérito. Na sua opinião, "havia um risco sério" de isso acontecer neste caso porque, apesar de o Governo estar disponível para vender a sua posição, o facto de ainda não ver um plano de reestruturação aceite por Bruxelas (condição essencial para que a ajuda de 1,1 mil milhões de euros de 2013 ser considerada legal) afastou compradores.

 

Da mesma forma, não houve um concurso porque ainda não estava preparada a separação entre um banco bom e um banco mau (com os imóveis e crédito malparado) herdeiros do Banif, que Governo, Ministério das Finanças e gestão do Banif queriam empreender ao longo de 2015.

 

No final do ano, a instituição financeira acabou por ser vendida, por 150 milhões de euros, ao Santander Totta no âmbito da aplicação de uma medida de resolução que implicou perdas a accionistas (o Estado era o maior) e a detentores de dívida subordinada, num processo que envolveu a colocação de 2.255 milhões de euros estatais.




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